Presbiopia: tudo que você precisa saber

Sua prevalência é alta e geralmente é acompanhada por várias dificuldades para o bom desempenho nas atividades diárias. Felizmente, existem vários tratamentos disponíveis.
Presbiopia: tudo que você precisa saber
Diego Pereira

Escrito e verificado por el médico Diego Pereira em 17 Abril, 2021.

Última atualização: 17 Abril, 2021

A presbiopia é uma condição comum caracterizada pela dificuldade para ler ou ver objetos próximos. É causada pela deterioração natural de alguns tecidos dentro dos olhos.

Embora o seu aparecimento não possa ser evitado, existem alguns comportamentos que podem ser seguidos para retardar a idade de apresentação dos sintomas.

Se você está interessado em saber um pouco mais sobre esta interessante condição, preparamos um breve artigo para informar sobre os seus aspectos mais salientes. Continue lendo!

Por que ocorre a presbiopia?

A presbiopia está relacionada a problemas de acomodação.
O sistema visual é complexo, apesar do seu tamanho. O cristalino é de fundamental importância para o seu bom funcionamento.

Assim como muitas outras doenças, a presbiopia é uma consequência da idade. Para entender um pouco melhor como ela ocorre, é aconselhável revisar alguns aspectos básicos da anatomia e fisiologia do sistema visual.

Dentro do globo ocular, existe uma estrutura flexível chamada de cristalino. Ele é o responsável por permitir o foco de objetos próximos, como ocorre na leitura das letras miúdas de um livro. O processo através do qual o cristalino se flexiona e focaliza os objetos é chamado de acomodação.

Para que ele ocorra de maneira adequada, é necessária a ação do músculo ciliar. A partir dos 40 anos, tanto as fibras musculares quanto o cristalino se deterioram progressivamente. Isso leva a dificuldades na acomodação que são expressas como um declínio na acuidade visual.

Fatores de risco

O risco de presbiopia aumenta consideravelmente conforme a idade avança. No entanto, existem algumas situações que podem favorecer o seu aparecimento prematuro. Trata-se das doenças crônicas e do uso de medicamentos ou substâncias químicas.

De acordo com este artigo de pesquisa (2019) as doenças que podem estar relacionadas são gastrite, anemia e diabetes mellitus. O mesmo acontece com certos hábitos, tais como tabagismo, alcoolismo e exposição prolongada ao sol ou à tela de telefones celulares.

Os dados deste estudo foram coletados a partir de uma amostra considerável (494 participantes), mas não muito representativa. Por esse motivo, até agora não foi comprovada a relação entre esses fatores e o aparecimento da presbiopia prematura.

Sintomas de presbiopia

A dificuldade para visualizar objetos e ler a uma distância curta é a manifestação clínica mais importante da presbiopia. No entanto, como ela se instala progressivamente, pode ser difícil para os pacientes perceberem os sintomas.

Alguns “sinais” indiretos que podem indicar a presença da presbiopia são:

  • Dor de cabeça frequente ao ler livros ou jornais.
  • Necessidade de aproximar os objetos do rosto para poder visualizá-los melhor.
  • Franzir a testa e fechar um pouco os olhos para ler textos distantes.
  • Cansaço durante uma leitura prolongada.

Embora a presença dessas alterações possa sugerir o diagnóstico de presbiopia, o mais aconselhável é consultar um oftalmologista para confirmar o diagnóstico.

Como ela se diferencia de outras doenças que afetam a acuidade visual?

Existem outras doenças muito comuns que também são capazes de afetar a acuidade visual de forma progressiva. Elas podem ser confundidas e tratadas como se fossem um caso de presbiopia quando, na verdade, seria necessária uma abordagem diferente.

Entre elas estão os problemas de refração. Este último termo se refere a um fenômeno físico que ocorre dentro do globo ocular e que permite a projeção adequada das imagens na retina. Essas doenças são as seguintes:

  • Miopia: dificuldade para ver objetos distantes.
  • Hipermetropia: visão borrada de perto.
  • Astigmatismo: os problemas de visão incluem objetos próximos e distantes.

Essas três condições podem ser acompanhadas por visão dupla (diplopia). Na verdade, este último sintoma também é característico de problemas neurológicos, como a paralisia de alguns nervos cranianos.

Diagnóstico de presbiopia

O oftalmologista se baseia nos achados clínicos para fazer um diagnóstico presuntivo da doença. Então, será feito um exame oftalmológico básico para determinar a presença de presbiopia ou de outros problemas de refração.

Isso pode incluir o uso de tabelas especiais para determinar a acuidade visual (como a tabela de Snellen) e alguns equipamentos como um foróptero.

Tratamento

A presbiopia deve ser tratada por um oftalmologista.
Os casos de presbiopia sempre devem ser tratados por um oftalmologista.

Existem múltiplas modalidades terapêuticas para essa condição, embora nem todas resolvam o quadro clínico completamente.

Apesar de certas intervenções serem realizadas, conforme a idade avança, os sintomas podem reaparecer. Por esse motivo, são recomendadas avaliações de rotina com um oftalmologista.

Não cirúrgica

O uso de óculos ou lentes é a opção mais comum para o tratamento da presbiopia. Apresentam a vantagem de serem baratos, reversíveis e geralmente confortáveis. No entanto, algumas pessoas tendem a rejeitá-los por causa de problemas estéticos ou do desconforto relacionado à sua manutenção.

Há um grande número de modelos disponíveis, embora nem todos sejam eficazes para todos os pacientes. A escolha da lente ideal depende do declínio da acuidade visual, algo que pode ser determinado por um oftalmologista.

Existem vários tipos de óculos, tais como bifocais ou trifocais. A escolha deles também depende da existência ou não de doenças associadas, como qualquer um dos erros de refração mencionados anteriormente.

Cirúrgica

As intervenções cirúrgicas mais amplamente utilizadas para o tratamento da presbiopia são as cirurgias refrativas. Existem vários tipos, dependendo das características particulares de cada paciente. Uma delas é a ceratoplastia condutiva, na qual a anatomia da córnea é alterada para melhorar a visão de perto.

Também existem procedimentos que usam um laser para obter resultados ideais, como a ceratomileuse in situ assistida por laser (LASIK) e a ceratectomia subepitelial assistida por laser (LASEK).

Como prevenir a presbiopia?

O enfraquecimento do cristalino e do músculo ciliar é inevitável conforme a idade avança. No entanto, é possível atrasar o início dos sintomas de presbiopia. Para isso, é importante controlar as doenças crônicas que mencionamos anteriormente, principalmente o diabetes mellitus.

Também existem recomendações básicas para melhorar a saúde ocular, tais como ler com boa iluminação e usar óculos de proteção ao realizar atividades ocupacionais de alto risco.

É ideal cuidar da saúde de forma integral

Procurar um oftalmologista de forma precoce é uma boa maneira de enfrentar a presbiopia. A frequência das consultas depende da idade, embora elas geralmente sejam aconselháveis a cada 2-4 anos a partir dos 40 anos, de acordo com uma publicação da Clínica Mayo.

As recomendações acima mencionadas podem ser estendidas para vários aspectos da saúde. Uma alimentação balanceada, exercícios regulares e evitar os fatores de risco cardiovascular são pilares fundamentais para manter uma saúde visual adequada.

Pode interessar a você...
Betacarotenos: o que são e quais são os seus benefícios?
Muy Salud
Leia em Muy Salud
Betacarotenos: o que são e quais são os seus benefícios?

Os betacarotenos são uma série de compostos presentes em muitos alimentos que apresentam uma alta capacidade antioxidante. A seguir mais detalhes



  • Ocampo-Rojo G, et al. Tratamiento quirúrgico para presbicia: LASAP. Revista Mexicana de Oftalmología 2012;86(1):7-11.
  • Esteva E. La miopía y las técnicas para combatirla. OFFARM 2001;20(9):138-143.
  • Pons L, et al. Características del astigmatismo en niños. Revista Cubana de Oftalmol 2019;32(2):e723.
  • Vicente T, et al. Prevalencia de defectos visuales en trabajadores españoles. Repercusión de variables sociodemográficas y laborales. Revista Mexicana de Oftalmología 2016;90(2):69-76.
  • A. Antón, M.T. Andrada, A. Mayo, et al. Epidemiology of refractive errors in an adult European population: The Segovia study. Ophthalmic Epidemiol., 16 (2009), pp. 231-237.
  • L. Guisasola, R. Tresserras-Gaju, I. García-Subirats, et al. Prevalence and burden of visual impairment in Catalonia, Spain. Med Clin (Barc)., 137 (Suppl 2) (2011), pp. 22-26.