Insuficiência cardíaca: sintomas, causas e tratamento

A insuficiência cardíaca é uma das doenças cardiovasculares mais temidas, pois pode gerar a falência de múltiplos órgãos em um curto espaço de tempo. Você quer saber mais sobre esta patologia? A seguir, vamos contar tudo para você.
Insuficiência cardíaca: sintomas, causas e tratamento

Escrito por Luis Rodolfo Rojas Gonzalez, 22 Abril, 2021

Última atualização: 22 Abril, 2021

O coração é o órgão responsável por bombear oxigênio e nutrientes para todos os tecidos e, por esta razão, as doenças cardiovasculares são uma das principais causas de morte no mundo todo. Dentre essas doenças, destaca-se a insuficiência cardíaca.

A insuficiência cardíaca é uma patologia que ocorre quando o miocárdio ou músculo cardíaco não consegue bombear sangue suficiente para os tecidos. Isso gera um desequilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio e nutrientes, causando falência em múltiplos órgãos.

Essa condição cardiovascular pode se manifestar em qualquer faixa etária, porém estima-se que a prevalência aumente em idosos. Embora a insuficiência cardíaca não tenha uma cura definitiva, é possível retardar a sua progressão e oferecer uma melhor qualidade de vida às pessoas com esse problema.

Sintomas de insuficiência cardíaca

A insuficiência cardíaca causa vários sintomas.
Esta doença é caracterizada por múltiplos sinais e sintomas.

As manifestações clínicas da insuficiência cardíaca geralmente aparecem gradualmente, como resultado de processos degenerativos do músculo cardíaco. Portanto, a maioria das pessoas costuma notar sintomas limitantes em atividades que não os geravam.

Os sintomas da doença são muito variados e dependem da gravidade da insuficiência. Além disso, eles são um reflexo do dano nas cavidades cardíacas e em nível da árvore brônquica, dentre os quais se destacam os seguintes sintomas:

  • Dificuldade respiratória.
  • Sensação de cansaço e fraqueza muscular.
  • Sintomas de retenção de líquidos.
  • Sensação de falta de ar que obriga o paciente a acordar durante a noite.
  • Frequência urinária aumentada.
  • Ganho de peso repentino.
  • Cansaço ao fazer exercícios de intensidade moderada.
  • Confusão, náusea e tontura.

Fatores de risco

A apresentação da insuficiência cardíaca está associada a uma variedade de agentes externos e internos que atuam enfraquecendo e lesando os músculos do coração. Do ponto de vista médico, os fatores que aumentam o risco de desenvolver essa condição são divididos em modificáveis e não modificáveis.

Fatores de risco modificáveis

São os fatores associados ao estilo de vida do paciente e às suas patologias subjacentes. Eles podem ser prevenidos, corrigidos e tratados, tudo a fim de reduzir o risco de sofrer dessa condição cardiovascular. Entre esses fatores de risco estão os seguintes:

  • Colesterol alto.
  • Obesidade e estilo de vida sedentário.
  • Diabetes não controlado.
  • Hipertensão não controlada.
  • Estresse.
  • Consumo de tabaco ou cigarros.
  • Consumo excessivo de álcool.

Fatores de risco não modificáveis

Esses são um pequeno grupo de fatores associados à genética e à hereditariedade de cada indivíduo. Estes não podem ser corrigidos, mas podem ser considerados para prevenir o desenvolvimento de insuficiência cardíaca. Dentro deste grupo estão os seguintes:

  • Ter mais de 55 anos.
  • Ser homem ou mulher na pós-menopausa.
  • Ter um parente próximo que teve doença coronariana ou acidente vascular cerebral antes dos 55 anos para os homens ou dos 65 anos para as mulheres.

Causas da insuficiência cardíaca

A insuficiência cardíaca geralmente é o resultado de patologias subjacentes que enfraquecem os músculos do coração e de fatores de risco não controlados. O produto final é um coração rígido ou dilatado que perde a capacidade de se contrair adequadamente e, por consequência, de bombear sangue suficiente para a corrente sanguínea.

As doenças que podem afetar a função de bombeamento do coração incluem as seguintes:

  • Cardiopatia isquêmica: é a causa mais comum de insuficiência cardíaca, com prevalência de 50 a 65%. É causada por uma alteração no fluxo sanguíneo das artérias coronárias responsáveis por alimentar o coração. Isso pode surgir como resultado de uma obstrução parcial ou total do fluxo.
  • Pressão alta: essa condição aumenta a força que o coração deve exercer para bombear sangue suficiente para os tecidos e, com o tempo, o coração pode ficar rígido ou muito fraco, causando a insuficiência cardíaca.
  • Miocardiopatias: são um grupo variado de alterações próprias da musculatura cardíaca, decorrentes de doenças subjacentes como diabetes e hipertensão arterial.
  • Valvulopatia: ocorre quando as válvulas cardíacas não funcionam corretamente. Isso significa que o músculo cardíaco deve aumentar a sua função de bombeamento para compensar essa alteração.
  • Arritmias: são condições próprias da condutividade elétrica do coração. Geram distúrbios no ritmo e na frequência das contrações normais do coração.

Por outro lado, existem situações que aumentam as demandas de oxigênio por parte dos tecidos na presença de um coração saudável e que desencadeiam a insuficiência cardíaca. Entre elas, destacam-se a anemia, o hipertireoidismo e as infecções generalizadas.

Diagnóstico

A avaliação clínica e abrangente por um médico especialista é fundamental no diagnóstico da insuficiência cardíaca. Para isso, deve ser obtido um histórico médico completo, detalhando os sintomas suspeitos, os fatores de risco associados e a história cardiovascular e sistêmica do paciente.

O exame físico permite ao médico identificar sinais indicativos de insuficiência cardíaca. Entre eles, destacam-se o inchaço das pernas e pés, as alterações no pulso e na frequência cardíaca, a distensão dos vasos do pescoço e sopros cardíacos anormais.

Da mesma forma, o especialista pode contar com diversos métodos complementares que permitem confirmar o diagnóstico, entre os quais podemos encontrar os seguintes:

  • Radiografia de tórax: por meio deste exame, o médico pode reconhecer padrões cardiopulmonares típicos que apontam para uma insuficiência cardíaca. Entre eles está o alargamento da silhueta do coração e a presença de líquido na cavidade pleural.
  • Eletrocardiograma: permite registrar e medir a atividade elétrica do coração. A presença de um eletrocardiograma anormal facilita a identificação de patologias cardiovasculares que podem estar causando a insuficiência cardíaca e os seus sintomas.
  • Ecocardiografia: é um exame bastante eficaz que oferece imagens ao vivo de toda a estrutura do coração. Isso permite que o médico avalie o funcionamento do coração, confirme o diagnóstico de dano cardíaco e até mesmo determine a gravidade do dano.
  • Exames de sangue: em pacientes com insuficiência cardíaca, os peptídeos natriuréticos geralmente ficam aumentados. Portanto, a sua determinação favorece a confirmação da patologia e o descarte de outros eventos cardíacos semelhantes.

Tratamento da insuficiência cardíaca

O tratamento dessa patologia tem como objetivo reduzir os sintomas apresentados, melhorando assim o estado hemodinâmico e a qualidade de vida do paciente. Atualmente, existem várias formas de tratamento que serão indicadas pelo especialista de acordo com o tipo e grau de acometimento.

Mudanças no estilo de vida

O paciente com insuficiência cardíaca precisará fazer grandes mudanças no seu estilo de vida. Para isso, é necessário introduzir hábitos e dietas saudáveis, controlando e descartando qualquer fator que possa ser prejudicial e complicar a doença. As recomendações incluem o seguinte:

  • Diminuição do consumo de sal e açúcares.
  • Controle do peso.
  • Aumento das atividades físicas.
  • Não consumir álcool, drogas ou cigarros.

Medicamentos

A insuficiência cardíaca requer tratamento.
A maioria dos pacientes com insuficiência cardíaca geralmente requer tratamento medicamentoso.

Os medicamentos buscam gerar um efeito protetor cardíaco, reduzindo a progressão da doença. Desta forma, haverá uma grande melhora nos sintomas e na qualidade de vida do paciente. Alguns medicamentos geralmente indicados são os seguintes:

  • Inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA): bloqueiam a ação da angiotensina II, um hormônio vasoconstritor, permitindo a dilatação dos vasos sanguíneos e reduzindo a sobrecarga no coração.
  • Betabloqueadores: reduzem a pressão arterial e a frequência cardíaca, melhorando a circulação sanguínea.
  • Diuréticos: removem o excesso de sódio e fluidos do corpo por meio da urina, reduzindo a sobrecarga no coração.
  • Digitálicos: aumentam a força de contração do coração e reduz o acúmulo de líquido nas cavidades. Geralmente são usados em pacientes com condição avançada.

Dispositivos

São pequenos dispositivos eletrônicos que se conectam ao coração e transmitem impulsos elétricos para regular a atividade cardíaca.

  • Marca-passo: é um pequeno aparelho de metal implantado sob a pele e conectado ao coração, guiando o ritmo cardíaco.
  • Cardioversor desfibrilador implantável (CDI): um dispositivo que identifica alterações no ritmo cardíaco e aplica pequenas descargas elétricas no coração para mantê-lo funcionando.
  • Ressincronização cardíaca: é utilizado um dispositivo que gera estímulos elétricos que são transmitidos ao coração e regulam os batimentos cardíacos.
  • Modulação da contratilidade cardíaca: é conseguida graças a um equipamento elétrico que envia estímulos elétricos ao músculo cardíaco para melhorar a sua capacidade de contração.

Cirurgias

Procedimentos cirúrgicos que têm como objetivo corrigir anormalidades estruturais e funcionais do coração. Dessa forma, busca-se reduzir a mortalidade dos pacientes com insuficiência cardíaca.

  • Revascularização do miocárdio: é considerada o procedimento por excelência para pacientes com doença coronariana. Este método remove qualquer bloqueio no fluxo sanguíneo coronário e melhora a perfusão do músculo cardíaco.
  • Substituição de válvula: é utilizada em pacientes com valvulopatias que afetam o funcionamento do bombeamento do coração. Deve ser feita antes que a dilatação e a lesão do músculo cardíaco sejam irreversíveis.
  • Transplante de coração: é o tratamento mais utilizado em pacientes menores de 60 anos com insuficiência cardíaca grave que não responde ao tratamento, desde que o paciente não tenha outras patologias subjacentes que coloquem a sua vida em risco.

A prevenção é a chave

Atualmente, a maioria das pessoas subestima os sintomas associados à insuficiência cardíaca, considerando-os como algo passageiro ou temporário. No entanto, a progressão desta doença pode oferecer um prognóstico pior do que o de muitos tipos de câncer.

A detecção e o tratamento precoce dessa patologia são essenciais. Dessa forma, o médico poderá prevenir as complicações que possam estar associadas, oferecer a terapia correta e manter o seu acompanhamento, melhorando assim a qualidade de vida do paciente em grande medida.

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