Esquizofrenia: sintomas, causas e tratamento

A esquizofrenia provoca uma alienação da realidade e até dos próprios processos mentais. Descubra mais sobre as causas, sintomas e tratamento dessa doença.
Esquizofrenia: sintomas, causas e tratamento
Bernardo Peña

Escrito e verificado por el psicólogo Bernardo Peña em 30 Agosto, 2021.

Última atualização: 30 Agosto, 2021

A esquizofrenia é uma psicopatologia que envolve uma grave alteração nos processos psicológicos, a desintegração do self, o isolamento e um afastamento progressivo da realidade.

Este é um transtorno mental grave, que deve ser tratado com este condicionante. Atualmente, muitas das suas causas já são conhecidas. Portanto, tanto o prognóstico quanto a qualidade de vida dos pacientes apresentaram uma melhora notável.

Esquizofrenia: características dessa psicopatologia

A esquizofrenia é um transtorno mental grave e crônico. Ela é caracterizada por uma evolução em três etapas: fase prodrômica, fase positiva e fase negativa.

  • A fase prodrômica é caracterizada por um afastamento gradual da realidade. Aos poucos, o pensamento e o comportamento vão se tornando mais estranhos. Pessoas que convivem com o indivíduo podem perceber a mudança. No entanto, como esse processo dura semanas, meses ou anos, essas mudanças podem não ser alarmantes.
  • A fase de sintomas positivos é aquela na qual estão presentes os sintomas mais perceptíveis da patologia. Alucinações, delírios e um comportamento caótico e desorganizado se destacam. Obviamente, tanto o pensamento quanto a linguagem estarão muito afetados.
  • A fase de sintomas negativos é caracterizada pelo isolamento, autoestimulação, anedonia e síndrome amotivacional.

Sintomas positivos da esquizofrenia

Os sintomas positivos envolvem:

  • Delírios: pensamento falso e incoerente sustentado, apesar das evidências em contra.
  • Alucinações: percepções visuais, auditivas, táteis, cinestésicas ou sensoriais que ocorrem na ausência de estímulos. Por exemplo, ver algo que não existe ou ouvir vozes que não podem ser ouvidas.
  • Transtornos de pensamento: o pensamento não segue as leis da lógica.
  • Linguagem desorganizada: é como se a linguagem não fizesse o menor sentido.

Sintomas negativos da esquizofrenia

Os sintomas negativos envolvem:

  • Desmotivação ou incapacidade de realizar comportamentos motivados.
  • Achatamento afetivo.
  • Isolamento social.
  • Anedonia.

Leia também: Depressão: sintomas e características principais

Depressão, esquizofrenia.

Esquizofrenia: tipos e características

Este grave transtorno mental apresenta algumas semelhanças gerais. No entanto, podem haver características específicas em cada pessoa. A esquizofrenia se divide nos seguintes tipos:

Esquizofrenia paranoide

A esquizofrenia paranoide é a mais comum de todos os tipos. Ela costuma ocorrer em pessoas com mais de trinta anos de idade. É o tipo com melhor prognóstico e possibilidade de recuperação. Os sintomas são os seguintes:

  • Alucinações auditivas.
  • Presença de um ou mais delírios, geralmente de perseguição.
  • Linguagem, pensamento e comportamento afetados de forma moderada.

Esquizofrenia desorganizada

Esse tipo de esquizofrenia é o mais grave e de pior prognóstico. Em alguns casos, é necessária contenção mecânica ou química. Ocorrem alguns dos seguintes sintomas:

  • Alucinações e delírios graves.
  • Linguagem, pensamento e comportamento muito desorganizados.
  • Afetividade muito prejudicada.

Esquizofrenia catatônica

Este tipo é caracterizado por uma evolução altamente flutuante. Os sintomas são caracterizados, sobretudo, pelo comprometimento psicomotor:

  • Os pacientes podem permanecer imóveis por várias horas ou, ao contrário, apresentar excesso de atividade motora.
  • Os pacientes oferecem resistência à realização de certos movimentos.
  • Ocorrem maneirismos.
  • Os pacientes repetem frases e palavras sem sentido aparente.

Esquizofrenia indiferenciada

É um dos tipos mais comuns de esquizofrenia. Ela não se enquadra em nenhuma das categorias acima, por isso seu nome. Embora ela reúna muitas características em comum com os tipos anteriores, como a presença de delírios e alucinações, em termos de pensamento, linguagem e comportamento ela não atende aos critérios dos outros tipos.

Esquizofrenia residual

É outro tipo muito comum. Ela pode ocorrer na transição entre as fases positiva e negativa da esquizofrenia. Embora não apresente episódios psicóticos, como delírios e/ou alucinações, ocorrem manifestações de anedonia, desmotivação, falta de expressividade e isolamento.

Dores de cabeça.

Causas da esquizofrenia

A etiologia da esquizofrenia é multicausal. Portanto, ela deve ser abordada conforme o paradigma biopsicossocial. Tentar explicá-la com base em razões exclusivamente biológicas, psicológicas ou sociais é insuficiente.

Seguindo o modelo de estresse-diátese, fatores predisponentes e precipitantes (biológicos e psicológicos) são necessários para o desenvolvimento da doença. Estes, devido à ação de estímulos ambientais desencadeantes, como estresse ou eventos traumáticos, dariam origem à patologia.

Causas biológicas

Segundo Moreno, A.C (2007), vários genes específicos estariam por trás do desenvolvimento da esquizofrenia. Portanto, destaca-se a herdabilidade. No entanto, a doença em si não seria herdada, mas sim uma vulnerabilidade para sofrê-la.

Por outro lado, aparentemente a ação desregulada do neurotransmissor dopamina também está por trás do início e manutenção da doença. Isso é conhecido como hipótese da dopamina. Finalmente, outros pesquisadores argumentam que a esquizofrenia se deve a problemas durante o parto ou infecções virais precoces.

Leia também: Dopamina

Causas psicológicas

Dentre as causas psicológicas, podemos encontrar a presença de traumas infantis reprimidos, que emergem na consciência na forma de sintomas de esquizofrenia.

Também destacamos como causas psicológicas os padrões de pensamento distorcidos, que dariam origem a distorções da realidade, pensamento mágico e várias superstições.

Todos os elementos mencionados acima, somados a um controle deficiente das emoções, transtornos de humor, problemas de autoestima, etc., podem levar a uma psicopatologia séria e complexa como a esquizofrenia.

Causas sociais

Membros de grupos minoritários étnicos e culturais apresentam uma maior probabilidade de sofrer de diferentes tipos de psicose. Talvez os membros desses grupos devam permanecer mais vigilantes diante de uma realidade hostil.

Podem existir outros fatores, como abuso sexual e maus-tratos na infância, além de padrões de comunicação disfuncionais. Watzlawick, P., em 1976, a chamou de teoria do duplo vínculo na comunicação familiar.

Tratamento da esquizofrenia

O tratamento da esquizofrenia tem os seguintes objetivos:

  • Eliminar os sintomas da doença.
  • Fazer com que o paciente adquira autonomia e controle sobre a própria vida, ou seja, estabeleça metas, retome projetos pessoais, etc.
  • Reinserir o paciente na sociedade, evitando sua institucionalização em centros de saúde.

Desta forma, o tratamento é baseado na:

  • Farmacoterapia: antipsicóticos são frequentemente prescritos para ajudar a prevenir a ocorrência de sintomas.
  • Terapia psicológica: na qual são trabalhados os pensamentos, emoções e comportamentos do paciente. Pode ser realizada individualmente ou em grupo.
  • Terapia familiar: as famílias são orientadas a restabelecer os vínculos e promover uma comunicação saudável.

Pensamentos finais

Em conclusão, esquizofrenia é cada vez mais conhecida nos dias de hoje. Isso tem contribuído para melhorar a qualidade de vida das pessoas que sofrem com ela. No entanto, é necessário continuar com as pesquisas para desenvolver tratamentos cada vez mais eficazes e para integrar essas pessoas na sociedade mais cedo e em melhores condições.

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  • Graff-Guerrero, A., Apiquian, R., Fresán, A., & García-Anaya, M. (2001). Perspectiva neurobiológica de la esquizofrenia. Salud Mental24(6), 36-42.
  • Moreno, A. C. (2007). Las esquizofrenias: sus hechos y valores clínicos y terapéuticos. Elsevier España.
  • Penn, D. L., & Mueser, K. T. (1995). Tratamiento cognitivo-conductual de la esquizofrenia. Psicología conductual3(1), 5-34.
  • Reyes, M. M., Quiñonez, R. M., de Villalvilla, T. D., Lomba, P., Fernando, A. P., & Sosa, M. V. (2004). Transmisión familiar de los síntomas positivos y negativos en la esquizofrenia familiar y esporádica. Actas Españolas de Psiquiatría32, 353-357.
  • Watzlawick, P. (1976). Teoría de la comunicación humana; interacciones, patologías y paradojas(No. 04; BF637. C45, W3 1976.).