Descolamento de retina: sintomas, causas e tratamento

O descolamento de retina é uma doença ocular muito séria que pode levar à perda da visão. Felizmente, existem vários tratamentos disponíveis para reverter o problema.
Descolamento de retina: sintomas, causas e tratamento

Escrito por Luis Rodolfo Rojas Gonzalez, 02 Maio, 2021

Última atualização: 02 Maio, 2021

O olho humano é composto por várias camadas, sendo a retina uma das mais importantes. A visão depende da sua capacidade para captar os feixes de luz e transmiti-los através do nervo óptico. Você tem interesse em saber quais são os sintomas, as causas e o tratamento para o descolamento de retina? A seguir, vamos contar tudo para você.

A retina é um tecido neurossensorial localizado dentro do globo ocular. Ela funciona por meio de um delicado sistema de receptores e transdutores nervosos. Falamos de descolamento quando a retina se separa da parede posterior do globo ocular, alterando o seu funcionamento.

Mundialmente, é observado 1 caso positivo para cada 10.000 pacientes por ano, o que tem como resultado uma indecência média de 0,01%. Por exemplo, em 2016, foram identificados mais de 100.000 casos de descolamento de retina na Espanha.

Sintomas do descolamento de retina

O descolamento de retina pode ser sério.
Esses sintomas podem ocorrer quase espontaneamente.

As manifestações clínicas do descolamento de retina geralmente aparecem de forma rápida e abrupta, ao contrário de outras patologias, como a presbiopia. Em geral, os sintomas dependem do agente causador e do comprometimento da camada retiniana.

O principal sintoma é o comprometimento da acuidade visual, que pode variar desde a visão turva até a perda da visão. Da mesma forma, os pacientes com descolamento de retina geralmente apresentam os seguintes sintomas:

  • Sombras ou cortinas no campo visual.
  • Flashes de luz ou fotópsias.
  • Corpos escuros flutuantes ou miodesopsias.
  • Dificuldade para focar objetos ao redor.

Na maioria dos casos, a pessoa não sente dor ocular. Da mesma forma, os flashes de luz e corpos flutuantes nem sempre indicam uma patologia visual grave e são comuns em pacientes idosos. No entanto, é vital procurar um especialista imediatamente para garantir o tratamento oportuno.

Qual é a causa?

A patogênese envolvida no descolamento de retina está associada a rupturas da camada retiniana, bem como a fenômenos exsudativos ou de tração. Eles enfraquecem e criam lacunas entre a retina e a parede do globo ocular, que causam o descolamento.

A causa mais comum é a retração do corpo vítreo posterior. Este fenômeno arrasta parte da retina, causando lesões que vão induzir o descolamento. Uma vez completamente separada, ela não funcionará corretamente, produzindo a visão turva e as manchas escuras no campo visual.

Da mesma forma, essa patologia também pode surgir como resultado de processos traumáticos no crânio ou nos olhos. De fato, alguns estudos atribuem 20-30% dos casos ao trauma contuso. Além disso, também pode ser condicionada por alterações na formação e desenvolvimento do globo ocular, procedimentos cirúrgicos e processos tumorais.

Fatores de risco para o descolamento de retina

Em geral, os fatores de risco estão associados a fenômenos ou situações que alteram a estrutura de adesão e suporte da retina. São o resultado de variáveis individuais, patologias subjacentes e agentes externos condicionantes, entre os quais foram identificados os seguintes:

  • Ter mais de 50 anos de idade.
  • Usar óculos para objetos distantes.
  • Cirurgia para correção de glaucoma.
  • Consumo de medicamentos que reduzem o tamanho da pupila, como a pilocarpina.
  • Histórico de laceração no olho contralateral.
  • Parentes que sofreram descolamento de retina.
  • Cirurgia para correção de catarata.
  • Golpes de alta intensidade na cabeça.
  • Fazer grande esforço físico, como, por exemplo levantar objetos pesados.

Da mesma forma, doenças como pré-eclâmpsia, glomerulonefrite e diabetes avançado aumentam o risco de desenvolver essa condição. Além disso, doenças neoplásicas benignas e malignas nas estruturas do globo ocular estão associadas a uma maior incidência porque enfraquecem a retina.

Diagnóstico

A identificação do descolamento de retina requer uma avaliação abrangente pelo médico especialista a partir dos sintomas oculares indicados pelo paciente durante o questionário. No entanto, o teste padrão para o diagnóstico dessa patologia é a oftalmoscopia indireta com dilatação pupilar prévia.

Ela permite avaliar todas as estruturas internas do olho, bem como determinar a integridade e adesão da camada retiniana. Em alguns pacientes, podem ser observadas hemorragias vítreas que colorem a retina com um tom escuro. Além disso, geralmente há a formação de novos vasos sanguíneos em doenças sistêmicas desencadeadoras, como o diabetes.

Por outro lado, a oftalmoscopia direta também pode ser de utilidade diagnóstica. No entanto, ela pode omitir lesões ou descolamentos de retina localizados na periferia do globo ocular.

Tratamento do descolamento de retina

O descolamento de retina é tratável.
Existem vários procedimentos cirúrgicos para esta doença.

Os pacientes diagnosticados com essa condição devem ser tratados imediatamente para evitar maiores danos ao globo ocular, levando à perda da visão.

O protocolo terapêutico é cirúrgico e tem como objetivo solucionar a lesão estrutural, com laser ou crioterapia, e colocar a retina em contato com a superfície posterior do olho.

Os procedimentos cirúrgicos mais comuns no tratamento do descolamento de retina são os seguintes:

Vitrectomia

É realizada a remoção e substituição do corpo vítreo que retrai a retina por uma delicada bolha de óleo, gás ou ar. Esta última será responsável por posicionar e manter a retina no lugar durante o tempo necessário para que ela cicatrize adequadamente.

Uma vez realizado o procedimento, o paciente não poderá viajar para locais com grande altitude ou realizar atividades de mergulho. Elas induziriam a expansão da bolha dentro do olho, causando um aumento repentino da pressão intraocular.

Retinopexia pneumática

O especialista colocará uma bolha de gás dentro do globo ocular que vai fixar a retina na parede posterior. Após alguns dias, o olho produzirá um líquido que substituirá a bolha de gás gradualmente. Após o procedimento, o médico pedirá para manter a cabeça fixa em uma determinada posição para promover a cicatrização.

Introflexão escleral

É colocada uma faixa de borracha macia na parte externa do globo ocular, que será responsável por pressionar o olho para dentro. Isso permitirá que a retina descolada possa se aderir à parede mais facilmente. Na maioria dos casos, essa faixa fica no olho de forma permanente.

Quando procurar um médico?

O prognóstico para o descolamento de retina geralmente depende da gravidade e da localização da lesão. A resolução cirúrgica geralmente oferece excelentes resultados; no entanto, eles dependem do cuidado e do manejo oportuno da condição.

Diante de sintomas oculares incômodos associados à alteração da acuidade visual, é preciso procurar um médico imediatamente. Ele se encarregará de prestar o atendimento oportuno e de estabelecer o protocolo de tratamento necessário de acordo com a gravidade do caso.

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