Depressão pós-parto: o que é e por que aparece?

31 março, 2021
This article has been written and endorsed by la psicóloga Paula Villasante
Às vezes, os sintomas da depressão pós-parto podem ser confundidos com os sintomas de depressão maior ou com sintomas depressivos específicos do pós-parto.

A depressão pós-parto (DPP) é um problema de saúde mental que é tão comum quanto grave. Está associado ao sofrimento materno e a uma série de consequências negativas para os bebês.

O tratamento da depressão pós-parto depende da gravidade dos sintomas. Os casos leves podem ser abordados por meio de estratégias psicossociais, enquanto que, para a depressão moderada, é recomendada a terapia psicológica.

Em casos graves, é indicada a terapia medicamentosa, geralmente com um inibidor seletivo da recaptação da serotonina (ISRS) como tratamento de primeira linha. De qualquer forma, o que é a depressão pós-parto? E, acima de tudo, por que ela aparece?

Depressão pós-parto: o que é?

Trata-se de um transtorno mental incapacitante, porém tratável. Também representa uma das complicações mais comuns da maternidade. Tanto assim que está incluído na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-5).

Nele, é definido como um episódio de depressão maior “com início no periparto, se o início dos sintomas de humor ocorrer durante a gravidez, ou dentro de 4 semanas após o parto.”

No entanto, a depressão que começa 4 semanas após o parto ou que não atende aos critérios para um episódio depressivo maior ainda pode causar muitos problemas e exigir tratamento.

A depressão pós-parto requer cuidados profissionais.
As consultas psicológicas e psiquiátricas são necessárias para o diagnóstico da doença.

Sintomas

Frequentemente, incluem distúrbios do sono (como a insônia), ansiedade, irritabilidade e uma sensação de opressão, bem como uma preocupação obsessiva com a saúde e a alimentação do bebê

Também podem ocorrer ideias suicidas e diversas preocupações quanto a prejudicar o bebê. Além disso, os sintomas da depressão pós-parto geralmente coincidem com os sintomas de um episódio de depressão maior. Podem ser os seguintes:

  • Perda de peso significativa.
  • Agitação ou retardo psicomotor.
  • Fadiga.
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada.
  • Diminuição da capacidade de pensar ou se concentrar ou indecisão.

Os sintomas causam sofrimento significativo ou prejuízo social, ocupacional ou em outras áreas funcionais importantes. Eles não são efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou outra condição médica, e não podem ser mais bem explicados por um transtorno esquizoafetivo ou outros transtornos psicóticos.

Diagnóstico

Até hoje, ainda existe alguma controvérsia sobre o melhor método para detectar a depressão pós-parto.

Por sua vez, tanto o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas quanto a Academia Americana de Pediatria recomendam a aplicação da Escala de Depressão Pós-parto de Edimburgo (EPDS) de 10 itens como método para identificar uma possível depressão pós-parto.

A avaliação de mulheres com possível depressão pós-parto requer um cuidadoso histórico médico para determinar o seu diagnóstico, identificar transtornos psiquiátricos coexistentes e gerenciar os problemas médicos e psicossociais que contribuem para o diagnóstico dessa doença.

A maioria das pacientes atinge o pico dos sintomas de 2 a 5 dias após o parto. Esses sintomas geralmente começam a desaparecer em 2 semanas.

Portanto, pode ser difícil distinguir entre esses sintomas leves e a depressão pós-parto como tal, mas avaliar o humor e a gravidade dos sintomas em diversos momentos pode facilitar essa distinção.

Depressão pós-parto: por que aparece?

A depressão pós-parto não aparece do nada. Existem certos fatores de risco que tornam uma mulher mais propensa à doença, como os seguintes:

  • Histórico pessoal ou familiar de depressão.
  • Ansiedade durante a gravidez.
  • Neuroticismo alto.
  • Baixa autoestima
  • Relacionamento conjugal ruim.
  • Pouco apoio social.
  • Baixo nível socioeconômico.
  • Ser solteira.
  • Gravidez indesejada.
  • Um temperamento infantil difícil.

Em resumo, esses fatores de risco refletem a posição social da mulher e o seu acesso a recursos “amortecedores” no que diz respeito à maternidade. Estes, em parte, refletem estressores ambientais e o suporte social e, por outro lado, também refletem sintomas recentes e contínuos de depressão e ansiedade, bem como de transtornos de personalidade.

Consequências da depressão pós-parto

Assim como a depressão maior, que pode ocorrer em outros momentos da vida de uma mulher, a depressão pós-parto cria um sofrimento pessoal que diminui a capacidade da mulher de funcionar com eficácia em muitas áreas de sua vida.

O ponto-chave sobre esse tipo de depressão, que a diferencia da depressão maior, é o fato de que as mulheres com depressão pós-parto têm uma responsabilidade maior ao cuidar da criança em questão, e a depressão contínua pode interferir na criação dos filhos.

Invalidez maternal

A depressão pós-parto pode persistir durante um longo período de tempo e provavelmente estará associada a episódios depressivos recorrentes.

Também está associada a um aumento nos níveis de emoções negativas e uma diminuição das emoções positivas. Essas características sugerem que a exposição dos bebês ao afeto materno negativo será significativa e de longo prazo.

Crianção dos filhos

A depressão pós-parto pode afetar muitos aspectos dos cuidados maternos. O impacto negativo dos sintomas depressivos fica evidente em uma das primeiras interações com o bebê: a amamentação. Isso pode se tornar um problema tendo em vista a importância da amamentação para o desenvolvimento do bebê.

Por outro lado, as mulheres com sintomas depressivos têm menos probabilidade de comparecer às consultas de rotina, de vacinação, de usar dispositivos de segurança em casa ou de colocar os bebês em uma posição recomendada para dormir.

Além disso, a própria depressão pós-parto em si também está associada a práticas problemáticas ao colocar os bebês para dormir, bem como ao uso incorreto das cadeirinhas para o carro, por exemplo. Mães com depressão pós-parto têm maior probabilidade de negligenciar e abusar dos seus filhos.

Consequências para a criança

As crianças também podem sofrer os efeitos da depressão pós-parto.
Não são apenas as mães que são afetadas por essa patologia, pois os filhos podem apresentar problemas no seu desenvolvimento emocional.

A depressão materna está associada a consequências comportamentais, cognitivas e relacionadas à saúde para a criança em desenvolvimento.

Comportamento e desenvolvimento cognitivo

Os primeiros seis meses após o parto estão associados a problemas de comportamento desde a primeira infância até a adolescência.

As crianças cujas mães sofrem ou sofreram de depressão pós-parto parecem ser mais vulneráveis a atrasos no desenvolvimento. Além disso, parece haver uma relação clara entre a exposição da criança à depressão materna e os resultados mais problemáticos no seu desenvolvimento cognitivo.

Também se sugere que a cronicidade dos sintomas depressivos na depressão pós-parto pode contribuir para a vulnerabilidade das crianças ao atraso no desenvolvimento.

Saúde física

Conforme já mencionamos, as mães com depressão pós-parto têm menor probabilidade de ter cuidados específicos com o filho. Por causa dos comportamentos de cuidado inadequados de uma mãe deprimida, a saúde do seu bebê pode ser afetada.

Mais especificamente, parece que as crianças poderiam ter pior função cardiovascular, bem como maior propensão a infecções gastrointestinais e do trato respiratório inferior.

Tratamento da depressão pós-parto

O tratamento da depressão pós-parto pode ser dividido entre o tratamento psicológico e o tratamento medicamentoso.

Tratamento psicológico

Existem quatro abordagens principais para o tratamento da depressão pós-parto: aconselhamento geral (também conhecido como visitas de escuta), psicoterapia interpessoal, terapia cognitivo-comportamental e terapia psicodinâmica.

Tratamento farmacológico

A medicação antidepressiva é o tratamento mais amplamente utilizado para a depressão pós-parto. Alguns medicamentos usados nesses casos são: sertralina, paroxetina, venlafaxina, fluoxetina, nefazodona e nortriptilina.

Um problema real que deve ser detectado a tempo

Em caso de sintomas relacionados à depressão pós-parto, é aconselhável procurar ajuda profissional o mais rápido possível. Para algumas pessoas, isso pode ser difícil por causa do estigma social associado à terapia psicológica, apesar dos benefícios óbvios que ela pode proporcionar.

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