Vitamina B6 (piridoxina): características e funções

3 abril, 2021
This article has been written and endorsed by el nutricionista Saúl Sánchez
Doses adequadas de vitamina B6 podem reduzir o risco cardiovascular a partir de de um menor acúmulo de homocisteína, um marcador de risco cardíaco.

A vitamina B6 tem natureza hidrossolúvel, ou seja, ela se dissolve em água. Está presente em muitos dos alimentos de consumo diário e desempenha funções semelhantes às de outras vitaminas do complexo B. Além disso, também possui tarefas específicas, sobre as quais vamos falar a seguir.

É preciso ter em mente que o mais comum é ingerir esse nutriente diariamente. Exceto no caso de dietas muito restritivas, é normal atender às necessidades dessa substância e, por isso, as situações de déficit são raras. Além disso, esta é uma substância cuja absorção dificilmente é afetada pela ingestão de fibras.

Funções da vitamina B6

Além de participar de determinadas reações metabólicas, a vitamina B6 também se destaca pelo seu envolvimento na fisiologia neurológica. Assim afirma uma pesquisa publicada na revista Medical Hypotheses, na qual a ingestão desse nutriente é relacionada ao alívio dos sintomas do autismo. Também pode ser eficaz na prevenção do aparecimento de outros tipos de patologias com um componente nervoso.

Por outro lado, a piridoxina está envolvida na produção de hemoglobina. Há evidências que mostram que a deficiência dessa substância pode gerar problemas na síntese dessa molécula, responsável pelo transporte do oxigênio através do sangue até as células e tecidos.

Uma baixa ingestão de vitamina B6 pode levar à anemia, embora isso geralmente aconteça em uma minoria de casos.

Também cabe destacar a importância da piridoxina nos processos de degradação das proteínas. Dessa forma, quanto maior o consumo de proteínas, maiores também serão as necessidades dietéticas dessa vitamina, a fim de quebrá-las em aminoácidos e processá-las.

Alguns especialistas afirmam que esse nutriente pode até mesmo ter implicações no metabolismo do câncer, devido à capacidade de interagir com proteínas e modular os estados inflamatórios.

Onde encontrar a vitamina B6?

Conforme dissemos, é raro apresentar uma deficiência de vitamina B6. Ela é encontrada na maioria dos alimentos comumente consumidos, tais como peixes, carnes e vegetais.

O salmão e o atum se destacam no grupo dos peixes por causa do seu alto teor de piridoxina. A carne de porco e o fígado fazem este papel dentre os alimentos provenientes de animais terrestres.

Quanto aos vegetais, devemos destacar o teor de vitamina B6 nas oleaginosas e grãos integrais. É possível até mesmo encontrar cereais fortificados com piridoxina, aumentando assim o seu valor nutricional.

Por esse motivo, exceto no caso de seguir uma dieta milagrosa muito restritiva, não deve haver uma deficiência dessa substância que condicione o estado de saúde. Porém, uma vez que essa situação se instale, poderão ocorrer alterações imunológicas e metabólicas, conforme afirma um estudo publicado em 2020.

É possível que a gliconeogênese (síntese de glicose dentro do organismo) esteja alterada nesses casos, causando assim um estado de fadiga. Também pode ser gerada anemia, conforme discutido anteriormente.

Situações de risco

Há diversos indivíduos que podem ter maior propensão a não atender as necessidades diárias de piridoxina. Dentre eles, devemos destacar os pacientes renais que necessitam de diálise. Também é o caso dos pacientes cujo fígado não funciona corretamente. Em ambos os casos, as necessidades podem ser aumentadas.

Além disso, as pessoas com doenças autoimunes podem precisar de quantidades maiores de vitamina B6. Um exemplo seria o dos pacientes com transtorno do espectro autista, embora aqueles com artrite reumatoide ou doenças inflamatórias intestinais também sejam suscetíveis a fazer parte deste grupo.

Finalmente, aqueles que consomem álcool regularmente também correm o risco de desenvolver um déficit do nutriente. Isso ocorre porque a microbiota é alterada com a ingestão dessa substância tóxica. Por esse motivo, diminui a produção endógena da substância e a capacidade do intestino de metabolizá-la e absorvê-la.

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Os pacientes alcoólatras têm maior probabilidade de desenvolver deficiência de vitamina B6 (piridoxina).

Sintomas de deficiência de piridoxina

Uma vez que esta é uma vitamina hidrossolúvel, é necessário garantir a sua ingestão diária, pois há a sua excreção contínua através da urina. Caso as necessidades não sejam atendidas, pode surgir uma certa sintomatologia.

Dentre o conjunto de sinais, destacam-se problemas relacionados à pele, como, por exemplo, as erupções cutâneas. Também é possível desenvolver rachaduras nos cantos dos lábios, bem como inflamação na parte superior da língua.

Cabe destacar que processos depressivos têm sido associados a uma ingestão insuficiente da substância. Da mesma forma, o sistema imunológico também ficará comprometido, conforme evidenciado por um artigo publicado na revista Folia Biologica. Também pode aumentar o risco de desenvolver certos tumores a partir desta situação.

Suplementação de vitamina B6

Foi proposto que a suplementação piridoxina pode ser benéfica para a saúde em certos casos. Cabe ressaltar que não foram documentados casos de toxicidade por doses excessivas, portanto, o uso de suplementos dietéticos dessa vitamina é totalmente seguro.

Há evidências que indicam que a administração desse nutriente, juntamente com outras vitaminas do complexo B, pode ser eficaz na redução do risco de desenvolver doenças cardiovasculares. O argumento que sustenta essa afirmação é que os níveis elevados dessas substâncias são capazes de reduzir o acúmulo de homocisteína, um marcador de risco cardíaco.

De qualquer forma, as pesquisas realizadas sobre o assunto até o momento são bastante limitadas e, portanto, não é possível recomendar suplementos dietéticos de piridoxina para essa finalidade.

Porém, foi gerado um consenso em torno do uso de suplementos de vitamina B6 a fim de melhorar o tratamento de vários transtornos neuropsiquiátricos. Um exemplo deles seria o autismo, no qual o nutriente pode ser capaz de estimular a atenção.

Necessidades de piridoxina

Até os 13 anos de idade, a necessidade diária de piridoxina é de cerca de 1 mg. É muito fácil alcançá-la por meio de uma dieta variada. A partir dos 16 anos, aumenta a necessidade dessa vitamina, que fica em 1,2 mg ao dia. Uma vez atingida a idade adulta, será suficiente ingerir 1,5 mg do nutriente diariamente.

É preciso ter em mente que as situações de risco que discutimos aumentam esses valores. Seria necessário avaliar cada caso separadamente para chegar a uma estimativa das doses ideais, de acordo com a situação do paciente.

No caso das mulheres grávidas, pode ser necessário chegar a 2 mg da substância diariamente.

Toxicidade

Realmente não houve muitos casos de toxicidade por consumo de vitamina B6. É praticamente impossível atingir os limites tóxicos por meio da dieta já que, para um adulto, esse limite seria de 100 mg.

Esses valores poderiam ser alcançados por meio do uso de suplementos, embora as doses recomendadas devam ser amplamente excedidas para atingir tal situação.

No entanto, em caso de intoxicação por piridoxina, podem ocorrer reações cutâneas, hipersensibilidade à luz solar, náuseas e azia. Cabe destacar que se esses valores elevados forem mantidos no organismo a médio prazo, podem surgir até mesmo distúrbios no sistema nervoso.

Por causa do risco de toxicidade, não é recomendado usar suplementos sem a supervisão de um profissional da área.

Interações medicamentosas

A vitamina B6 não está livre de interações medicamentosas. Alguns medicamentos podem reduzir os seus níveis circulantes, como, por exemplo, os de epilepsia. Nesses casos, pode ser necessário recorrer à suplementação, bem como planejar a dieta de acordo com as necessidades específicas.

Por outro lado, também é possível encontrar medicamentos destinados ao tratamento de doenças pulmonares que podem interferir na absorção do nutriente ou reduzir os seus níveis. Os mais característicos são os indicados para o tratamento da asma.

Piridoxina-interações medicamentosas
Alguns medicamentos e fármacos para a epilepsia podem alterar os níveis sanguíneos de vitamina B6 (piridoxina).

Por fim, cabe destacar que um dos medicamentos mais utilizados para o tratamento da tuberculose também é capaz de gerar um efeito semelhante.

No entanto, foram relatadas na literatura interações negativas entre suplementos dietéticos de vitamina B6 e outros antibióticos de amplo espectro. Com as doses dietéticas, geralmente não há problema.

Vitamina B6, um nutriente com muitas funções

Conforme você pode ver, a piridoxina tem uma infinidade de funções no corpo. A maioria delas é importante, podendo modular o estado de bem-estar do indivíduo. Um déficit do nutriente pode levar à anemia ou distúrbios nervosos. Felizmente, esse tipo de situação não é frequente.

É relativamente fácil atingir as necessidades diárias de vitamina B6. Isso ocorre porque a substância está presente em uma grande variedade de alimentos. Por essa razão, seria necessário propor uma dieta muito restritiva para gerar um déficit.

Apesar de tudo, há pessoas cujas necessidades são aumentadas. Também cabe lembrar também que, uma vez que se trata de um nutriente hidrossolúvel, é preciso garantir a sua ingestão diária. Não há reservas de piridoxina no organismo.

Por fim, lembre-se de que a suplementação de vitamina B6 pode gerar efeitos benéficos a médio prazo, desde que prescrita por um profissional.

Essas doses fazem sentido quando se pretende reduzir o risco cardiovascular em pacientes com antecedentes ou para o tratamento de certas doenças de pele. De qualquer forma, não é recomendável propor o uso desses suplementos de forma crônica para todos, uma vez que eles geralmente não são necessários.

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