Falar sozinho é bom para o cérebro

É ruim falar sozinho? Como esse hábito afeta o nosso cérebro? Existe uma maneira correta de fazer isso? Veremos as respostas a essas perguntas em detalhes.
Falar sozinho é bom para o cérebro

Escrito por Daniela Andarcia

Última atualização: 21 março, 2021

Muitos são os momentos em que falar sozinho acontece espontaneamente; alguns dos exemplos mais típicos são quando estamos com pressa e procurando as chaves da sua casa ou antes de uma apresentação ou evento importante.

Falar sozinho não é uma indicação de que você seja uma pessoa estranha ou que algo esteja errado com você. Esse hábito é praticado por muitas pessoas. geralmente mais pessoas do que você pensa.

E não estamos nos referindo apenas ao hábito de pensar durante alguns assuntos em silêncio, mas sim ao ato de falar em voz alta consigo mesmo e, às vezes, até mesmo responder às questões colocadas.

Isso acontece por vários motivos, especialmente quando estamos sujeitos a emoções como raiva, nervosismo ou grande concentração. Mas será que você sabe por que falar sozinho é bom para o cérebro? Descubra a resposta a esta pergunta.

Falar sozinho é bom para o cérebro
Falar sozinho tem múltiplos benefícios muito interessantes.

5 formas como falar sozinho afeta o cérebro de forma positiva

Existe uma grande diferença entre um diálogo consigo mesmo, sabendo que se trata de uma conversa com o seu próprio eu, e manter uma conversa com um agente externo que só você pode perceber.

Uma vez esclarecido isso, há várias pessoas que teorizam que, quando falamos em voz alta com nós mesmos, entre outras coisas, desaceleramos os nossos pensamentos, o que ajuda a processá-los de forma mais eficaz.

Em geral, isso ocorre porque os centros de linguagem do cérebro são colocados em ação. Assim, vamos mostrar como esse hábito pode beneficiar o seu cérebro.

1. Acelera o processo de aprendizagem

Falar sozinho pode melhorar o seu processo de aprendizagem de forma geral. Especialistas demonstraram que esse hábito ajuda a reforçar as informações armazenadas na memória de longo prazo.

Ao fazer perguntas a si mesmo, respondê-las e questionar as suas respostas, você está desempenhando o papel de um professor diligente que tenta fazer com que os alunos deem o melhor de si e, assim, consolidem os seus conhecimentos.

2. Pode reduzir os níveis de estresse

Foi demonstrado que, em momentos de confusão, tristeza, raiva ou estresse, fazer um monólogo pode ser benéfico para amenizar esses sentimentos. Se ainda não fez isso, você pode tentar adquirir esse hábito e considerá-lo como uma espécie de terapia para liberar a tensão.

Lembre-se de que os níveis prolongados de estresse podem afetar negativamente a saúde do cérebro e a do seu corpo em geral.

3. Ajuda a manter a concentração

Um estudo publicado na Acta Psychologica mostrou que fazer perguntas retóricas para si mesmo durante a execução de tarefas técnicas pode aumentar o seu nível de concentração.

Isso ocorre porque o diálogo interno é uma ferramenta útil para repassar procedimentos e detectar falhas; portanto, perguntar em voz alta se um objeto cabe ou não em um espaço, por exemplo, é apropriado para esses casos.

Além de desabafar uma ou outra frustração, é provável que repetir as instruções e processos em voz alta aumente o seu conhecimento sobre o assunto. E, às vezes, isso pode fazer você mudar de ideia se estiver pensando em desistir, pois, falando consigo mesmo dessa forma, você vai se lembrar do seu progresso.

4. Aumenta os níveis de motivação

Às vezes, temos sentimentos de bloqueio que surgem por termos a sensação de que um determinado objetivo ou projeto está estagnado. Esse pensamento negativo pode ser minimizado se usarmos a ferramenta do diálogo interno positivo.

Palavras como “Você está fazendo um bom trabalho!”, “Você consegue!” ou “Falta pouco!” aumentam a sua automotivação e, quando ditas em voz alta, ganham mais força. Afinal, o som ajuda a reforçar a informação.

Tenha em mente que essas frases, de acordo com um estudo de 2014, quando pronunciadas na segunda ou na terceira pessoa, funcionam melhor. Isso ocorre porque, ao usar esses pronomes, você cria a sensação de estar falando com outra pessoa, o que leva ao distanciamento emocional, atenuando assim as funções de angústia associadas ao objetivo que você acha que está estagnado.

5. Ajuda a processar sentimentos complexos

Às vezes, existem experiências pessoais que você não deseja compartilhar com terceiros ou com as pessoas mais próximas. Diante de situações como essas, você provavelmente procurará melhorá-las um pouco antes de expô-las.

Para isso, é necessário reservar um tempo, refletir e segmentar a situação, para conseguir encontrar a solução mais adequada. Falar em voz alta na privacidade do seu quarto, por exemplo, pode te ajudar a identificar as possíveis preocupações que as tribulações atuais podem trazer.

Da mesma forma, conversar consigo mesmo sobre alguns sentimentos profundos vai minimizá-los e torná-los mais fáceis de resolver. Ou, pelo menos, vai te ajudar a aceitar a situação, o que ajuda a mitigar o seu impacto.

Aprenda a falar sozinho da maneira certa

A maneira como nos comunicamos conosco pode afetar de forma negativa ou positiva os nossos pensamentos. Monólogos como “Como sou tonto!”, “Sou inútil!” Ou “Fiz tudo errado!”, por exemplo, são premissas que tendem a prejudicar a nossa autoestima e diminuir significativamente o nosso senso de valor.

Isso é conhecido como diálogo negativo e isso deve ser evitado a todo custo. Para isso, coloque estas recomendações simples em prática:

Oriente o monólogo a seu favor

Os cenários para falar sozinho surgem com frequência durante o nosso dia a dia. Oportunidades como a perda de um objeto, uma entrevista de emprego ou a execução de alguma atividade em geral, são boas oportunidades para o diálogo consigo mesmo.

De acordo com um estudo publicado na revista médica Quarterly Journal of Experimental Psychology, fazer perguntas a si mesmo em voz alta, tais como “Onde será que deixei este objeto?”, “Onde foi que vi essa coisa pela última vez?” ou simplesmente mencionar o nome do item ausente, pode te ajudar a encontrá-lo mais rápido sem gerar tensão.

Além disso, há evidências científicas de que incorporar o seu monólogo em voz alta como uma extensão das suas ideias enquanto estuda é muito útil para fixar e acelerar a compreensão do assunto estudado.

Falar sozinho é bom para o cérebro
Se for tentar falar sozinho, o melhor é que isso seja feito de forma inteligente.

Ouça o que você diz

Falar em voz alta, ao mesmo tempo em que se escuta com atenção, é uma combinação necessária e importante ao falar sozinho. Prestar atenção ao que os seus pensamentos estão dizendo favorece o processo de comunicação interna, influenciando positivamente na sua capacidade de ter sucesso nos assuntos em questão.

Lembre-se de que esse hábito bem orientado serve como o suporte de que você precisa para lidar com uma determinada situação.

Fale na terceira pessoa

Consiste em se referir a si mesmo na segunda ou terceira pessoa; dessa forma, você criará uma sensação de distanciamento emocional, podendo tomar uma decisão mais clara e objetiva.

O que devemos lembrar sobre falar sozinho?

  • Sentir-se à vontade e livre para ter uma conversa consigo mesmo pode levar algum tempo, mas lembre-se de que isso é mais comum do que você pensa.
  • Livre-se dos estigmas associados a esta prática, lembrando-se de que, quanto praticada a longo prazo, ela pode ser benéfica para você.
  • O diálogo interno bem executado em momentos de dificuldade oferece o suporte necessário para amenizar essa situação.
  • É necessário que você se refira a si mesmo de forma positiva e na terceira pessoa, pois isso vai te ajudar a obter melhores resultados.
  • Não se esqueça de prestar atenção ao que estiver dizendo quando falar consigo mesmo.


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