5 benefícios de ser bilíngue para o cérebro

19 março, 2021
This article has been written and endorsed by la psicóloga Laura Ruiz Mitjana
Existem benefícios de ser bilíngue para o cérebro? Em que sentido? O fato de dominar duas línguas pode nos ajudar a retardar a demência? O que a ciência diz a respeito? Não fique com dúvidas!

Você sabia que existem diversos benefícios de ser bilíngue? Afinal, o nosso cérebro está bem preparado para aprender mais de um idioma, principalmente durante a infância. Isso se deve à sua grande plasticidade neuronal.

Muitos são os estudos que garantem que a aprendizagem de uma segunda língua permite retardar ou eliminar o risco de sofrer de certas doenças neurodegenerativas.

Por outro lado, ser bilíngue está relacionado a uma maior flexibilidade cognitiva e uma melhor capacidade de concentração, podendo até mesmo favorecer a recuperação cognitiva após um AVC. Quer saber mais sobre os benefícios de ser bilíngue para o cérebro? Vamos te contar!

5 benefícios de ser bilíngue para o cérebro

De acordo com um artigo (2012) de Mayte Rius, publicado em La Vanguardia, muitos grupos de pesquisa estão tentando descobrir como o aprendizado de diferentes línguas afeta o cérebro.

Essa busca vem ocorrendo há vários anos e as perguntas sem resposta ainda estão em aberto, embora já existam dados que comprovam que o cérebro bilíngue não é nem funciona da mesma forma que o cérebro monolíngue (das pessoas que falam apenas uma língua).

Mas será que realmente existem benefícios de ser bilíngue em nível cerebral? As neurociências sugerem que sim e, neste artigo, selecionamos 5 dos seus benefícios mais relevantes.

1. Retarda a demência

Os benefícios de ser bilíngue
Embora não haja comprovação de que isso sirva para prevenir a doença, falar vários idiomas pode retardar o início dos sintomas de demência.

Um dos principais benefícios de ser bilíngue para o cérebro é que isso pode chegar a retardar o aparecimento da demência. Essa condição aumenta a atenção e a memória, o que favoreceria a reserva cognitiva das pessoas.

Isso está relacionado a uma diminuição do risco de desenvolver demência e, além disso, os sintomas de demência têm um ritmo mais lento em pessoas que foram bilíngues durante toda a vida.

Nesse sentido, os especialistas apontam que o domínio de duas línguas nos protege de um possível declínio cognitivo. Ou seja, desfrutar de saúde mental (e também física) ao longo da vida nos prepara para um envelhecimento mais saudável.

Estudo: bilinguismo e demências

Uma equipe de pesquisadores do Instituto Rotman, de Toronto, verificou como as pessoas que falavam duas ou mais línguas regularmente durante a vida apresentavam os sintomas da doença de Alzheimer de 4 a 5 anos depois do que aquelas que falavam apenas uma língua.

No entanto, Fergus Crack, o responsável pelo estudo, é cauteloso nas suas conclusões. Crack assegura que não é que “o bilinguismo previna o Alzheimer”, mas sim que ele proporciona um estímulo mental que cria uma reserva cognitiva, e é isso que atrasaria o aparecimento dos sintomas da doença.

É curioso que, uma vez que o Alzheimer aparece em pessoas bilíngues, as duas línguas são afetadas em paralelo. No entanto, o declínio é um pouco maior no idioma que aprenderam mais tarde.

2. Deixa uma marca no cérebro

O fato de dominar duas línguas tem um reflexo em nível cerebral. Nesse sentido, os lobos frontais (responsáveis pelas funções cognitivas), seriam as regiões mais relacionadas ao bilinguismo.

Um estudo da Universidade de Washington (EUA), realizado com um bebê de 11 meses de famílias bilíngues (que falam catalão e espanhol), mostrou diferenças significativas nessas áreas cerebrais.

Por meio da pesquisa, foi observado que bebês criados em casas de pais bilíngues exibiam uma atividade cerebral relacionada ao funcionamento executivo. Isso ocorria a partir dos 11 meses de vida.

3. Aumenta a concentração e a flexibilidade cognitiva

Outro benefício de ser bilíngue para o cérebro é que isso aumenta a capacidade de concentração, especialmente em crianças. Isso estaria relacionado a uma maior flexibilidade cognitiva, uma vez que o cérebro teve que se “adaptar” ou se ajustar ao fato de falar mais de um idioma.

4. Melhora a recuperação após um AVC

Um acidente vascular cerebral (AVC), também chamado de derrame cerebral, é uma doença cerebrovascular que afeta os vasos sanguíneos que fornecem sangue ao cérebro.

Quando o sangue não chega à sua área de destino (por causa da ruptura dos vasos ou porque ocorre uma anoxia), há um acidente vascular cerebral. Isso resulta na consequente morte neuronal da área.

É possível que as pessoas bilíngues tenham mais chances de se recuperar, em nível cognitivo, após sofrer um AVC, em comparação com pessoas que falam apenas uma língua.

5. Promove a atividade cerebral

Os benefícios de ser bilíngue se devem às conexões neurais.
As conexões neurais são a base para a atividade cerebral aumentada nessas pessoas.

Em relação ao que já foi comentado, os especialistas garantem que o fato de ser bilíngue tem como resultado uma maior atividade cerebral.

Ou seja, o nosso cérebro fica mais ativo quando precisa aprender (e aprende) duas línguas diferentes. Isso ocorre porque aprender um novo idioma, mesmo que você seja pequeno, requer um certo esforço cognitivo, além de uma maior atenção.

Quando dominamos duas línguas maternas e muitas vezes nem “pensamos” ao passar de uma língua para a outra enquanto falamos, a verdade é que o nosso cérebro fica mais ativo durante essas mudanças.

Além disso, essa atividade cerebral “extra” que ocorre nas pessoas bilíngues foi associada a uma maior densidade de matéria cinzenta (a matéria que contém a maioria dos neurônios e sinapses cerebrais).

Esse aumento da densidade está relacionado ao atraso de algumas doenças já mencionadas, tais como as demências em geral ou o Alzheimer.

Um hábito mais complexo do que parece

Embora ainda existam perguntas sem resposta neste campo tão interessante quanto é o bilinguismo, o que está claro é que, em nível cognitivo e cerebral, dominar mais de uma língua tem vantagens. Existem diferentes tipos de bilinguismo e os três mais importantes são os seguintes:

  • Composto: pessoas que aprendem duas línguas usando apenas um conjunto de conceitos.
  • Coordenado: pessoas que aprendem duas línguas usando dois conjuntos de conceitos.
  • Subordinado: pessoas que aprendem um segundo idioma filtrando-o primeiramente por meio da sua língua materna.

Seria interessante ver se existem diferenças, em nível cerebral, entre os diferentes tipos de bilinguismo. No entanto, podemos ficar com a ideia geral de que ser bilíngue, em qualquer de suas formas, traz alguns benefícios.

  • Ferreiro, E. (1997), “El bilingüismo: una visión positiva”, en: Garza Cuarón (ed.), Políticas lingüísticas en México, México, La Jornada Ediciones.
  • Montrul, S. (2013). El bilingüismo en el mundo hispanohablante. Wiley-Blackwell.
  • Vallverdú, F. (1972). Ensayos sobre bilingüismo. Edit. Ariel. Barcelona.