Lidocaína: o que é e para que serve?

A lidocaína é um anestésico local que também possui propriedades antiarrítmicas e neurolépticas. Infelizmente, pode ter vários efeitos tóxicos em doses elevadas.
Lidocaína: o que é e para que serve?

Escrito por Luis Rodolfo Rojas Gonzalez, 29 Abril, 2021

Última atualização: 29 Abril, 2021

Alguns tratamentos e procedimentos médicos causam muita dor nos pacientes e, por essa razão, são aplicados anestésicos para evitar que eles sejam muito traumáticos. Um dos anestésicos locais mais usados atualmente é a lidocaína. Você quer saber o que é a lidocaína e para que serve? Continue lendo pois vamos explicar tudo para você.

Os anestésicos são um grupo de medicamentos que causam uma perda temporária da sensibilidade ou da consciência. Em termos gerais, eles inibem a transmissão dos impulsos nervosos tanto em nível central quanto em nível periférico.

Durante muitos anos, a lidocaína foi usada apenas como anestésico local; no entanto, ela também pode ser útil no tratamento de várias doenças. Além disso, possui múltiplas formas farmacêuticas, que variam de acordo com o uso a ser feito dela.

O que é a lidocaína?

A lidocaína é um anestésico.
A lidocaína geralmente é administrada para suturar ferimentos.

Conforme mencionado anteriormente, a lidocaína é um medicamento pertencente aos anestésicos locais do grupo das amidas. Tem ação imediata e o seu efeito pode ser observado de 1 a 3 minutos após a sua aplicação. Além disso, o efeito farmacológico pode levar até 180 minutos para desaparecer.

Dentro da farmacodinâmica do composto, destaca-se o fato de que ele bloqueia os canais de sódio da membrana celular dos neurônios. Desta forma, a membrana é estabilizada e a transmissão do impulso nervoso é inibida, tanto a nível sensorial quanto motor.

No plasma sanguíneo, 70% da lidocaína se une às proteínas plasmáticas; no entanto, em altas concentrações, pode haver efeitos colaterais. O medicamento é metabolizado quase totalmente pelo fígado e se transforma em metabólitos inativos. Tudo isso ocorre antes que ele seja excretado através da urina.

O anestésico em questão pode ser aplicado por via intravenosa e tópica; por isso, há diferentes formas de apresentação. As apresentações mais comuns do composto incluem soluções injetáveis entre 1 e 5%, aerossóis, pomadas, emplastros e enxaguatórios bucais.

Para que serve a lidocaína?

As propriedades anestésicas do composto são as mais estudadas e, por isso, ela é utilizada para eliminar a dor apresentada diante de determinadas situações. Por exemplo, ela pode ser injetada por via subcutânea antes de uma sutura ou aplicada em forma de pomada para diminuir a dor das hemorroidas e das injeções em crianças pequenas.

Por outro lado, o composto também pode ser usado em diferentes tipos de anestesia, dependendo da forma de administração. Nesse sentido, pode ser aplicada na anestesia peridural, no bloqueio de nervos, na anestesia subaracnoidea e na anestesia regional intravascular.

A apresentação de enxaguatório bucal é usada para aliviar o desconforto dentário, enquanto os emplastros são úteis no tratamento de patologias articulares dolorosas. As injeções podem ser aplicadas na mucosa oral e são úteis na realização de procedimentos ambulatoriais, como, por exemplo, uma extração dentária.

No entanto, vários estudos mostram que a lidocaína possui propriedades sistêmicas diferentes, que dependem da concentração plasmática. As diferentes propriedades do fármaco aparecem quando ele é encontrado em concentrações inferiores a 50 micromols.

Uma das principais funções sistêmicas da lidocaína é prevenir o fluxo de íons de sódio para o interior do músculo cardíaco; por isso, ela possui propriedades antiarrítmicas, sendo útil em caso de taquicardia e fibrilação ventricular. Ela também tem propriedades neurolépticas e neuroprotetoras que diminuem a atividade cerebral.

Como é utilizada?

Sua forma de administração dependerá da apresentação farmacológica. Nesse sentido, as soluções injetáveis só devem ser administradas por profissionais médicos qualificados. Deve-se administrar a menor dose possível para que o efeito desejado seja alcançado; entretanto, a dose máxima recomendada é de 200 miligramas.

A Associação Espanhola de Pediatria (AEP) estabelece que ela pode ser utilizada no tratamento da epilepsia na dosagem intravascular de 1,5 ou 2 miligramas por quilo de peso. No entanto, o seu uso não é comum porque existem outros compostos mais eficazes para essa patologia.

Ao usar emplastros ou pomadas, é importante manter a pele limpa e aparar os pelos da região com uma tesoura. Os emplastros devem ser aplicados imediatamente após a remoção do envelope e a retirada da folha de proteção para garantir a sua eficácia.

O enxaguatório bucal ou a lidocaína viscosa podem ser usados sempre que necessário; porém, é preciso aguardar pelo menos 3 horas entre cada aplicação. O ideal é aplicar uma camada fina do composto na área afetada e esfregar suavemente durante alguns segundos.

Principais efeitos colaterais

Todos os medicamentos comercializados podem causar efeitos indesejáveis nos pacientes e a lidocaína não é uma exceção. A sua intensidade e gravidade vão depender da forma de administração; desta forma, os principais efeitos colaterais aparecem quando ela é administrada por via intravascular.

Este composto afeta diversos órgãos do corpo, gerando sintomas cardiovasculares, neurológicos e digestivos. No entanto, de acordo com a AEP, os principais sintomas apresentados tanto em crianças quanto em adultos são os seguintes:

  • Bradicardia.
  • Diminuição da pressão arterial.
  • Náuseas e vômitos.
  • Vertigem.
  • Tremores.
  • Nervosismo.
  • Convulsões em grandes doses.

Por outro lado, todos os anestésicos locais têm a capacidade de gerar toxicidade sistêmica quando administrados em altas doses.

Porém, estudos mostram que a adição de epinefrina às soluções de lidocaína aumenta a sua margem terapêutica e, portanto, é possível aumentar um pouco a dose sem induzir efeitos tóxicos.

Advertências e contraindicações

A lidocaína tem contraindicações.
Caso o paciente tenha problemas cardíacos, é aconselhável informar o médico antes que o medicamento seja administrado.

Suas principais contraindicações estão relacionadas ao tipo de anestesia que se deseja utilizar, seja ela peridural ou intratecal. Além disso, o seu uso é contraindicado em pacientes com alergia ou hipersensibilidade ao composto.

As soluções injetáveis não devem ser administradas a pacientes com hipotensão, bradicardia ou em estado de choque, pois isso pode piorar o quadro. No caso das pomadas, elas não devem ser aplicadas em bebês prematuros nascidos antes da 37ª semana, enquanto os aerossóis são contraindicados para crianças menores de 6 anos.

Pacientes com insuficiência hepática e insuficiência renal devem ter extremo cuidado com o uso da lidocaína, pois ela pode atingir concentrações tóxicas com doses menores. Além disso, o composto tem a capacidade de reagir a determinados medicamentos e é por isso que o médico deve ser informado se houver o uso de algum outro medicamento.

Finalmente, também é preciso ter um cuidado especial com os pacientes que apresentam doenças cardíacas graves, tais como bloqueio atrioventricular, disfunção sinusal grave e síndrome de Wolff-Parkinson-White.

Um anestésico útil com múltiplos efeitos

A lidocaína é um dos anestésicos locais mais estudados, o que fez com que as suas múltiplas propriedades fossem descobertas ao longo dos anos. Além da capacidade antiarrítmica, o composto também apresenta propriedades neuroprotetoras, anti-inflamatórias e antiepilépticas, embora ainda sejam necessários mais estudos a esse respeito.

Apesar de ser um composto com poucos efeitos colaterais, ele deve ser usado sob estrita supervisão médica. Isso ocorre porque a lidocaína tem uma margem terapêutica muito estreita e, por esta razão, podem ser alcançadas concentrações tóxicas para o organismo rapidamente.

Pode interessar a você...
4 medicamentos para baixar a febre
Muy Salud
Leia em Muy Salud
4 medicamentos para baixar a febre

Os medicamentos para baixar a febre são, na sua maioria, pertencentes ao grupo dos anti-inflamatórios não esteroides. A seguir, mais detalhes.



  • Ochoa-Anaya G, Aguirre-Ibarra CP, Franco-Cabrera M. Lidocaína: aspectos generales y nuevas implicaciones en la inflamación. Rev Mex Anest. 2017;40(3):220-225.
  • Quintana-Puerta JE, Cifuentes-Hoyos V. Toxicidad sistémica por anestésicos locales. Rev CES Med. 2014; 28(1): 107-118.
  • Ayala S, Castromán P. Efecto de la lidocaína intravenosa sobre el control del dolor y el consumo de opiáceos en el postoperatorio. Anestesia, Analgesia y Reanimación. 2012; 25(1): 1-6.
  • Berk T, Silberstein SD. The Use and Method of Action of Intravenous Lidocaine and Its Metabolite in Headache Disorders. Headache. 2018 May;58(5):783-789.
  • Herminghaus A, Wachowiak M, Wilhelm W, Gottschalk A et al. [Intravenous administration of lidocaine for perioperative analgesia. Review and recommendations for practical usage]. Anaesthesist. 2011 Feb;60(2):152-60.
  • Riera R, Andrade LE, Souza AW, Kayser C, Yanagita ET, Trevisani VF. Lidocaine for systemic sclerosis: a double-blind randomized clinical trial. Orphanet J Rare Dis. 2011 Feb 7;6:5.