Tratamento da rinite alérgica

A rinite alérgica pode ser tratada de diferentes maneiras. Embora a terapia seja sempre personalizada, a seguir apresentaremos algumas das alternativas disponíveis.
Tratamento da rinite alérgica

Escrito por Josberth Johan Benitez Colmenares, 13 Agosto, 2021

Última atualização: 17 Agosto, 2021

A rinite é uma condição na qual ocorre inflamação e irritação na mucosa nasal. Ela pode ser desencadeada por diversos fatores, embora a exposição a alérgenos, como pólen ou poeira, seja a causa mais comum.

Também conhecida como febre do feno, estudos mostram que essa doença afeta entre 10% e 20% da população. Conhecer o tratamento da rinite alérgica é fundamental para quem sofre de episódios recorrentes.

Como é o tratamento da rinite alérgica?

O tratamento da rinite alérgica envolve a consideração de muitos fatores. Desencadeantes, prevalência, gravidade dos sintomas e idade são apenas alguns dos elementos que determinam o tratamento. A maioria dos pacientes consegue lidar muito bem com a doença, embora em outros casos seja necessária a intervenção de um alergologista.

Se você sofre de exacerbações recorrentes é recomendável consultar um destes profissionais para determinar os gatilhos exatos e, assim, escolher um plano de tratamento apropriado para combatê-los. De acordo com a Australasian Society of Clinical Inmunology and Allergy (ASCIA), são destacadas as seguintes opções de tratamento.

Anti-histamínicos

O tratamento da rinite alérgica inclui o uso de anti-histamínicos.
Os medicamentos antialérgicos são o tratamento de primeira linha, embora as pessoas com rinite alérgica recorrente possam perceber pouca melhora clínica após o uso repetido.

A terapia anti-histamínica costuma ser a primeira opção no tratamento da rinite alérgica. Ela é dividida em dois tipos: de primeira e segunda geração.

Uma vez que os medicamentos do primeiro tipo são acompanhados por um poderoso efeito sedativo (afetando o desempenho psicomotor), os pesquisadores sugerem drogas de segunda geração em alguns contextos. Entre esses medicamentos, destacamos os seguintes:

  • Loratadina.
  • Desloratadina.
  • Fexofenadina (Allegra).
  • Cetirizina (Zyrtec).

Os anti-histamínicos atuam bloqueando os efeitos da histamina. Essa é uma substância secretada pelo organismo durante uma reação alérgica, produzindo alguns dos sintomas clássicos (coriza e espirros, por exemplo).

Eles são um tratamento acessível e eficaz, embora devam ser administrados com cautela devido ao possível efeito sedativo. É possível comprá-los em diferentes formas, como comprimidos, xaropes, sprays intranasais e colírios.

Corticosteroides intranasais

Eles são especialmente úteis para tratar a inflamação, embora devam ser usados regularmente (como é o caso, por exemplo, de alguns medicamentos para asma). Os Estudos apoiam o uso deles ao invés dos anti-histamínicos, por eles serem isentos de efeitos sedativos, embora não seja incomum que os pacientes tenham que recorrer a ambos em casos graves.

Nem todos os corticosteroides intranasais têm a mesma potência, de forma que se ela for muito alta pode provocar irritação nasal ou sangramento. Para evitar esse problema basta escolher o produto adequado, bem como utilizá-lo da forma correta para perceber seus benefícios. Destacamos os seguintes:

  • Beclometasona.
  • Fluticasona.
  • Flunisolida.
  • Budesonida.

Se você apresentar algum efeito colateral, suspenda o uso e pergunte ao seu especialista ou farmacêutico qual marca ou dose você deve usar de acordo com as suas crises de alergia.

Medicamentos combinados

Alguns pacientes só percebem melhora com a ajuda de medicamentos combinados. Eles integram em um único ponto os princípios ativos dos anti-histamínicos e corticosteroides.

Estudos recomendam o uso desta terapia combinada, embora somente quando os tratamentos anteriores não fizeram efeito. Consulte um especialista caso você ache que precisa deste tratamento para a sua rinite.

Sprays descongestionantes

Os sprays descongestionantes são considerados como terapia de curto prazo, muitas vezes apenas para pessoas com rinite ocasional.

Isso ocorre porque o uso a longo prazo tem sido associado a vários efeitos colaterais. Entre eles destacamos hipertensão, taquicardia, dores de cabeça, insônia e nervosismo. Por esse motivo, eles devem ser usados com cautela pelas pessoas que sofrem desses tipos de problemas.

Se usados apenas ocasionalmente, eles são muito úteis para desbloquear o nariz. A maioria dos produtos desse tipo usa uma combinação de dois ou mais compostos, portanto, deve-se verificar 0 rótulo caso esteja sendo mantido um tratamento anterior para uma doença subjacente.

Comprimidos descongestionantes

Eles funcionam da mesma forma que os medicamentos citados acima, só que desta vez o tratamento consiste na ingestão oral. Os pesquisadores concordam que a terapia baseada neles não deve durar mais que cinco dias, pois o paciente corre o risco de desenvolver rinite medicamentosa ou congestão recorrente.

Eles também podem provocar as mesmas sequelas da variação em aerossol, por isso não devem ser usados por pessoas hipertensas ou com problemas cardíacos.

Imunoterapia como tratamento para a rinite alérgica

O tratamento da rinite alérgica inclui o uso de injeções.
A imunoterapia é uma opção terapêutica relativamente recente, com resultados benéficos em alguns grupos muito específicos.

As opções mencionadas acima são a primeira linha de defesa contra a rinite alérgica. No entanto, alguns pacientes podem optar por sessões de imunoterapia para controlar os sintomas e a frequência com que os episódios ocorrem.

Os pesquisadores endossam seu uso em pacientes com mais de cinco anos que não responderam às terapias anteriores. Dentre as características deste tratamento estão as seguintes:

  • Pode ser aplicado por via subcutânea ou sublingual.
  • Os efeitos são mantidos por vários anos após a interrupção do tratamento.
  • Em geral, consiste em sessões que duram de três a cinco anos (dependendo de cada caso).
  • São baseados na administração de um alérgeno para reduzir a sensibilidade do paciente (às vezes dois ou mais podem ser usados).
  • Exigem vigilância após a aplicação para controlar as reações alérgicas.

Considerando os efeitos de longo prazo, a imunoterapia pode ser uma opção mais eficaz que o tratamento convencional, especialmente para aqueles que precisam lidar com episódios recorrentes. Nem todos os pacientes se qualificam para esse tratamento, por isso consulte seu especialista sobre a possibilidade de iniciar um programa desse tipo.

Outras formas de tratamento da rinite alérgica

Além de atacar os episódios quando eles já se desenvolveram, outra forma de tratar a rinite alérgica é evitando que esses episódios ocorram. De acordo com o American College or Allergy, Asthma & Immunology, estes são alguns hábitos positivos:

  • Manter as janelas de casa fechadas nas estações frias.
  • Usar ar condicionado em casa e no carro nos períodos do ano de maior sensibilidade.
  • Usar óculos escuros quando estiver fora de casa para proteger os olhos dos alérgenos.
  • Comprar colchões à prova de ácaros, além de trocar o cobertor e os lençóis de forma recorrente.
  • Evitar o acúmulo de poeira em casa.
  • Lavar as mãos com frequência, especialmente depois de acariciar um animal.
  • Identificar os hábitos que desencadeiam as exacerbações para evitá-las.

Estas são algumas das orientações gerais que você deve incluir na rotina. Elas variam de acordo com o catalisador específico para sua alergia. Se você não consegue mantê-la sob controle com base em alguns dos tratamentos indicados para rinite, não hesite em consultar um especialista para explorar opções mais personalizadas.

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