O que é labilidade emocional?

18 abril, 2021
This article has been written and endorsed by la psicóloga Laura Ruiz Mitjana
A afetividade inclui o nosso estado de humor, as nossas emoções e os nossos sentimentos. Quando ela é alterada por qualquer motivo, aparecem fenômenos como a labilidade emocional.

A labilidade emocional é uma alteração da afetividade. A afetividade, por sua vez, é o domínio da vida mental ao qual pertencem estados como sensações, emoções, estado de humor, sentimentos…

Assim, os afetos seriam todos os estados que nos influenciam ou nos motivam, de uma forma ou de outra. Mas o que acontece quando a regulação desses estados, ou os próprios estados, sofrem alguma alteração? Nesse caso, entramos no campo da psicopatologia da afetividade.

A labilidade emocional faz parte dessa área da psicopatologia e se manifesta por meio de mudanças repentinas e desproporcionais no estado emocional.

As pessoas que sofrem com esse problema expressam variações nas suas emoções em questão de minutos, horas ou dias (embora essas mudanças geralmente ocorram de forma rápida e abrupta). Você quer saber mais sobre este conceito?

“Cuide de suas próprias emoções e nunca as subestime.”

-Robert Henri-

O que é labilidade emocional?

labilidade emocional
Uma pessoa com esse problema pode se sentir muito infeliz.

A labilidade emocional é uma alteração da afetividade, que envolve uma série de mudanças de humor. Essas mudanças ocorrem de forma rápida e alternada e podem (ou não) ser causadas por estímulos externos.

As emoções desses “novos” estados de humor geralmente duram pouco, e o indivíduo com labilidade emocional pode passar rapidamente de uma emoção para outra. Por exemplo, isso pode envolver passar rapidamente da tristeza e do choro para a alegria e o riso.

Assim, a característica fundamental desse fenômeno é essa velocidade com que o humor ou as emoções da pessoa mudam. Essas mudanças tão rápidas e abruptas podem causar um verdadeiro desconforto ao paciente, que se sente “descontrolado” ou incapaz de lidar com as próprias emoções de forma saudável.

Quanto tempo duram as mudanças de humor?

A duração da “nova” emoção dependerá muito da pessoa. Assim, as mudanças podem durar minutos, horas ou dias. O que caracteriza a labilidade emocional não é tanto o período de tempo durante o qual a pessoa vivencia aquela emoção, mas sim justamente o fato de que a mudança de uma emoção para outra ocorre de forma rápida e abrupta.

Por outro lado, as mudanças repentinas no estado emocional podem se repetir durante vários dias até que, finalmente, chega um dia em que a pessoa “se estabiliza”. No entanto, a labilidade emocional vai reaparecer mais cedo ou mais tarde (especialmente em certos distúrbios psicológicos).

Transtornos onde aparece

A labilidade emocional pode aparecer como um sintoma isolado no indivíduo ou como consequência de algum transtorno prévio. No primeiro caso, dizemos que a pessoa não possui nenhum transtorno mental subjacente que explique essa alteração.

No segundo, a labilidade apareceria como parte de um transtorno psicológico subjacente. Aqui estão alguns dos transtornos em que é mais provável que apareça a labilidade emocional:

Depressão maior

A labilidade emocional pode aparecer na depressão maior. Nesse caso, a pessoa passaria, por exemplo, de fases de embotamento emocional e anedonia para outras marcadas por profunda tristeza.

Essas mudanças podem gerar muita instabilidade e sofrimento, além de alterações nas relações sociais (sobretudo quando a labilidade se manifesta por meio de um surto intenso).

Ciclotimia

A ciclotimia é considerada a versão “leve” do transtorno bipolar. É um transtorno do humor que envolve episódios depressivos alternados com episódios hipomaníacos, que se repetem de forma cíclica e alternada.

Um dos principais sintomas da ciclotimia é essa labilidade emocional que explicamos, já que a pessoa passa de um estado emocional para outro de forma muito rápida e intensa.

Transtorno bipolar

A labilidade emocional também pode aparecer no transtorno bipolar, embora deva ficar claro que ser bipolar não é o mesmo que ser lábil em nível emocional. No primeiro caso, estamos falando de um distúrbio e, no segundo, de um sintoma ou de uma característica da pessoa.

Outros transtornos

Outros transtornos em que a labilidade emocional aparece são a epilepsia (neste caso, há uma alteração no funcionamento global do cérebro) ou alterações onde há um envolvimento do sistema límbico (intimamente relacionado à regulação emocional).

Fenômenos relacionados à labilidade emocional

A labilidade emocional não deve ser confundida com outros transtornos afetivos que podem parecer semelhantes, mas que não são iguais. Vejamos as diferenças:

Incontinência afetiva

A labilidade emocional pode aparecer juntamente com a incontinência afetiva. Nesse caso, estamos falando de um descontrole da expressão afetiva, que aparece de forma excessiva. Assim, a pessoa com incontinência afetiva não consegue dominar ou controlar as suas emoções, sendo “comandada” por elas.

Talvez a pessoa sinta que, na verdade, as suas emoções não são tão intensas, mas, mesmo assim, ela não consegue controlá-las. A incontinência afetiva aparece em distúrbios como deficiência intelectual ou em algumas doenças orgânicas, como as demências. Também aparece em alguns transtornos mentais.

Ambivalência afetiva

labilidade emocional
Geralmente surgem conflitos internos durante os episódios de labilidade emocional.

Outra alteração da afetividade que não devemos confundir com a labilidade emocional é a ambivalência afetiva. A ambivalência afetiva implica a coexistência de sentimentos positivos e negativos em relação à mesma experiência ou situação.

Ou seja, as emoções ou sentimentos não são alternados (como no caso da labilidade emocional), mas sim coexistem (isto é, aparecem ao mesmo tempo). Essa alteração ocorre em transtornos como a esquizofrenia ou em alguns transtornos de personalidade.

Rigidez afetiva

A rigidez afetiva é uma alteração que afeta o alcance e a capacidade de modular emoções e afetos. Assim, a pessoa manifesta certas emoções, mas não é capaz de modulá-las e, por isso, elas persistem independentemente da situação.

Trata-se de uma forma de inflexibilidade afetiva que não devemos confundir com a indiferença. Neste último caso, falamos de uma inexistência de afetos.

A rigidez afetiva aparece, por exemplo, na esquizofrenia (especialmente na esquizofrenia do tipo desorganizado), na depressão, em episódios maníacos do transtorno bipolar, no transtorno de ansiedade generalizada (TAG), etc.

Tratamento da labilidade emocional

A psicoterapia pode ser útil no tratamento da labilidade emocional, especialmente quando ela aparece como um sintoma ou isoladamente. Assim, são usadas diferentes técnicas de regulação emocional, bem como técnicas cognitivas, tais como reestruturação cognitiva ou desfusão cognitiva.

Quando a labilidade surge como consequência de algum transtorno mental subjacente, será importante abordar o transtorno através do tratamento mais apropriado para ele.

Terapia medicamentosa

A terapia medicamentosa é usada principalmente com as pessoas com depressão (antidepressivos), transtornos psicóticos como a esquizofrenia (antipsicóticos) ou algum transtorno de ansiedade (ansiolíticos).

Nesses casos, no entanto, é o psiquiatra que sempre deve determinar se um tratamento medicamentoso é apropriado ou não (e de que tipo). Deve ficar claro que os medicamentos não “corrigem” a labilidade emocional diretamente, mas sim ajudam a melhorar o transtorno geral do paciente.

Nesse sentido, eles podem ajudar a reduzir os níveis de ativação (ansiedade), os sintomas psicóticos, etc. Isso, por sua vez, poderia ter um impacto positivo na regulação das emoções.

Acompanhamento da labilidade emocional

A labilidade emocional pode causar muito sofrimento, além de um sentimento de confusão na pessoa que sofre com o problema. Quando faz parte de um transtorno mental prévio, ela deve ser abordada e tratada levando em consideração o paciente como um todo e o seu transtorno.

Para ajudar uma pessoa com labilidade emocional, o melhor a fazer é investigar as suas causas e tentar acompanhá-la durante essas mudanças de humor da melhor maneira possível.

Também podemos incentivá-la a pedir ajuda; como sempre, pedir ajuda profissional será um divisor de águas, oferecendo à pessoa um lugar seguro onde ela pode ser ela mesma.

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