Alergia ao trigo: tudo o que você precisa saber

A alergia ao trigo é uma condição rara que pode ser confundida com algumas doenças gastrointestinais. Vamos ver como você pode distingui-la das outras doenças e qual é o tratamento recomendado.
Alergia ao trigo: tudo o que você precisa saber

Escrito por Josberth Johan Benitez Colmenares, 04 Julho, 2021

Última atualização: 04 Julho, 2021

As reações alérgicas que ocorrem após a ingestão de alimentos que contenham esse cereal é conhecida como alergia ao trigo. As reações geralmente aparecem minutos após o contato, embora também possam aparecer 1-3 horas depois. Dado o contexto em que ocorre, ela pode ser confundida com a doença celíaca ou sensibilidade não celíaca ao glúten.

A alergia ao trigo é uma condição muito difícil de diagnosticar. Alguns estudos sugerem que uma demora de 32 a 62 meses para o diagnóstico é relativamente frequente, porque muitos alérgenos que podem causar respostas no corpo devem ser descartados. Hoje ensinaremos tudo o que você precisa saber sobre essa alergia: sintomas, causas e tratamento.

Sintomas da alergia ao trigo

A alergia ao trigo pode causar reações na pele.
As manifestações clínicas da alergia ao trigo são semelhantes às de outras alergias. Conhecer os sintomas ajuda o paciente a perceber a necessidade de procurar precocemente ajuda médica.

O trigo é um dos cereais mais cultivados no mundo. Ele está presente em pães, pizzas, biscoitos, cuscuz, bolos, biscoitos e centenas de outros alimentos. As reações alérgicas podem se manifestar de duas formas: ingestão (alergia alimentar) ou inalação (alergia respiratória). Quando isso acontece, os seguintes sinais aparecem:

  • Secreção nasal.
  • Urticária e erupção cutânea.
  • Espirros.
  • Irritação ocular.
  • Náusea e vômito.
  • Dores de cabeça.
  • Dificuldade para respirar.

Em alguns casos, a alergia pode levar a uma reação anafilática. Ela é caracterizada pela confluência de todos os sintomas acima, mas em estágios crônicos. O choque anafilático pode causar inflamação na língua e vias aéreas a ponto de impedir a respiração.

Todos esses sintomas podem ser acompanhados por reações gastrointestinais como prisão de ventre, diarréia, dor abdominal, flatulência e outros. É por isso que ela é frequentemente confundida com a doença celíaca. No entanto, como nos lembra a Food Allergy Research & Education (FARE), essas são reações diferentes, e com causas totalmente distintas.

Causas da alergia ao trigo

Como já indicamos, a alergia ao trigo ocorre quando o paciente ingere ou inala um alimento ou produto feito com esse cereal. Quando isso acontece, o corpo identifica erroneamente uma das quatro proteínas do trigo como uma ameaça.

Dessa forma, ele libera anticorpos para se defender desse inimigo em potencial. Especificamente, as reações são causadas pelo anticorpo imunoglobulina E (ou simplesmente IgE).

Esta reação é igual à de outros tipos de alergia, por exemplo ao leite, soja, amendoim ou nozes. Os motivos para esse processo de desregulação imunológica são incertos, embora se acredite que ele possa ser motivado por predisposição genética e fatores ambientais.

As evidências indicam que ela é muito mais comum em crianças, e que elas tendem a desenvolver sintomas mais intensos. Sua prevalência varia de acordo com a região, embora geralmente esteja entre 1% e 3%.

Sabe-se que com o passar do tempo uma tolerância ao cereal é alcançada. Um estudo publicado no Asian Pacific Journal ou Allergy and Immunology em 2017 sugere os seguintes intervalos de tempo:

  • 2 anos de idade : 14,7%.
  • 4 anos de idade: 27%.
  • 5 anos de idade: 45,7%.
  • 9 anos : 69%.

Embora o assunto seja considerado controverso, não há evidências de que a exposição precoce ao trigo ou determinados padrões de amamentação causem alergia, conforme sugere uma publicação no Journal of Paediatrics and Child Health de 2017.

Diagnóstico da alergia ao trigo

Como menionamos no início do artigo, o diagnóstico da alergia ao trigo pode levar vários anos. A razão para isso é que existem várias condições que podem desencadear os mesmos sintomas.

Outros alérgenos (incluindo, é claro, vários alimentos) devem ser descartados primeiro e, em seguida, outras doenças cujos sintomas estão relacionados.

De acordo com o Children´s Hospital of Philadelphia, o processo para diagnosticar essa condição é:

Testes cutâneos

Os testes cutâneos são a base para o diagnóstico de qualquer tipo de alergia. A princípio, o que se faz é expor a pele do paciente a uma pequena quantidade de trigo. Normalmente, isso é feito no antebraço, e três processos podem ser escolhidos para confirmação: punção, injeção e adesivos.

A área exposta é examinada por vários minutos ou mesmo horas. Os sintomas característicos de alergias (como urticária, vermelhidão e inchaço) serão procurados. Esse não é um teste 100% preciso, pois pode causar falsos positivos ou negativos.

Exames de sangue

A alergia ao trigo pode ser diagnosticada através de vários estudos.
A dosagem da imunoglobulina E permite orientar o diagnóstico, embora este não seja um método específico.

Para esse exame, o paciente é exposto ao possível gatilho da reação (no caso o trigo) e, em seguida, seu sangue é coletado para avaliar a presença de IgE produzida como resposta imune pelo organismo. Por sua vez, exames de sangue são feitos para descartar outros tipos de doenças relacionadas, como a doença celíaca.

Desafio alimentar

Em ambiente controlado e com alternativas de resposta preparadas para uma possível intercorrência, o paciente fica exposto a alimentos com alto percentual de trigo. O especialista pode assim determinar o grau de sensibilidade e em que concentrações ocorrem os sintomas crônicos.

O uso desses testes é geralmente preferido para se chegar a um diagnóstico exato. Dependendo da suspeita do especialista, exames de imagem ou endoscopias também podem ser feitos para descartar outras doenças. No entanto, os três métodos acima listados são o padrão para o diagnóstico da alergia ao trigo.

Alguns diagnósticos diferenciais possíveis que os estudos determinaram são os seguintes:

  • Alergia alimentar não mediada por IgE: enterocolite mediada por proteínas alimentares.
  • Síndrome de rubor: epilepsia autonômica, carcinóide, álcool clorpropamida.
  • Síndromes de restaurante: sulfitos, escombóide, glutamato de sódio.
  • Choque não anafilático: cardíaco, endotóxico, hemorrágico.
  • Síndromes com produção excessiva de histamina endógena: urticária pigmentosa, leucemia basofílica, mastocitose, angioedema idopático.
  • Outros: Munchausen, anorexia nervosa, prisão de ventre, convulsões, síndrome do intestino irritável.

Tratamento para a alergia ao trigo

Relatamos anteriormente que uma alta porcentagem de pacientes diagnosticados durante a infância desenvolve tolerância ao trigo antes dos 9 anos de idade. Enquanto isso está acontecendo, o especialista irá sugerir que as variações do trigo que causam reações mais graves sejam evitadas. Elas são determinados durante os testes de diagnóstico.

Portanto, o tratamento consiste em evitar total ou parcialmente o trigo na dieta. Tudo depende do grau de sensibilidade do paciente e das chances de desenvolver anafilaxia. O médico também recomendará o seguinte:

  • Consultar um nutricionista para traçar um plano de acordo com a idade, altura e demandas diárias de energia.
  • Evitar produtos feitos com trigo (alguns cosméticos e certos produtos de higiene pessoal).
  • Aprender a ler os rótulos para descobrir os derivados desse cereal.
  • Sempre ter uma injeção de epinefrina à mão se houver tendência a sintomas graves.
  • Usar uma pulseira médica que alerte sobre a condição.

Às vezes, o médico pode prescrever anti-histamínicos, embora geralmente a ingestão apenas ocorra como uma exposição involuntária ao alérgeno. As evidências indicam que em geral o prognóstico costuma ser muito bom, embora seja importante consultar um especialista para determinar a evolução do quadro.

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