O que é pré-diabetes?

O pré-diabetes é um estado alterado de glicose no sangue que precede o diabetes tipo 2. Felizmente, essa é uma condição reversível, portanto, o tratamento adequado é essencial.
O que é pré-diabetes?

Escrito por Luis Rodolfo Rojas Gonzalez, 02 Julho, 2021

Última atualização: 02 Julho, 2021

O diabetes tipo 2 é o tipo mais comum de diabetes em todo o mundo, no entanto, essa patologia apenas se desenvolve após alguns anos. Antes que a doença se estabeleça, as pessoas podem ter níveis elevados de glicose no sangue sem apresentar nenhum sintoma específico; este é um estado conhecido como pré-diabetes.

Essa condição é um estado em que há elevação dos níveis de glicose no sangue acima dos valores normais, sem atingir os critérios para o diagnóstico de diabetes. Este é um estado subclínico muito frequente e os Centros para el Control y Prevención de Enfermedades estabelecem que 88 milhões de adultos nos Estados Unidos sofrem com isso.

O diagnóstico da doença é baseado principalmente na medição dos níveis de glicose no sangue. Felizmente, essa é uma condição reversível, portanto, um tratamento adequado evita sua progressão para diabetes tipo 2.

Sintomas

O pré-diabetes está relacionado ao ganho de peso.
O pré-diabetes geralmente não causa muitos sintomas. No entanto, as pessoas afetadas costumam estar acima do peso ou ser obesas.

Em termos gerais, o pré-diabetes não gera sintomas específicos em quem o possui, por isso passa despercebido na maioria dos casos. Essa condição pode permanecer estável por muitos anos, sem dar indicações claras da sua presença.

Algumas pessoas podem apresentar um sinal denominado acantose nigricans, que é o escurecimento da pele em áreas onde há dobras cutâneas. Este sinal ocorre com mais frequência no pescoço, embora também possa aparecer em áreas como axilas e virilha. Geralmente é acompanhado pelo crescimento de verrugas nas áreas afetadas.

Em casos muito raros, as pessoas com pré-diabetes podem apresentar sintomas muito semelhantes aos do diabetes tipo 2, embora com muito menos intensidade. Nesse sentido, os pacientes podem relatar qualquer uma das seguintes manifestações:

  • Fome excessiva ou polifagia.
  • Aumento na ingestão de água ou polidipsia.
  • Aumento do volume miccional ou poliúria.
  • Fadiga.
  • Mudanças no peso corporal.

Causas e fatores de risco do pré-diabetes

Os níveis de glicose no sangue podem aumentar por duas razões diferentes: quando o corpo desenvolve resistência à insulina ou quando a produção desse hormônio é insuficiente. A resistência à insulina é o principal distúrbio relacionado ao pré-diabetes, e nesse caso o hormônio não consegue introduzir glicose nas células.

A insulina é um hormônio produzido no pâncreas, cuja principal função é introduzir a glicose do plasma nas células para que essa glicose seja utilizada como energia. Esse hormônio não consegue exercer a sua função quando o organismo gera resistência a ele, o que eleva o nível da glicose mantida no sangue.

Por outro lado, a resistência à insulina pode fazer com que o pâncreas pare de funcionar adequadamente, diminuindo a produção de insulina depois de um tempo. Nesse sentido, ambas as condições favorecem o surgimento do pré-diabetes e sua posterior evolução para o diabetes tipo 2.

Fatores de risco

Ainda não foi determinada uma causa exata para o aparecimento do pré-diabetes; no entanto, há um grande número de fatores de risco que aumentam a probabilidade de que ele ocorra. A maioria desses fatores estão relacionados ao estilo de vida das pessoas, ou seja, podem ser modificados. Dentre os principais fatores que predispõem ao aparecimento dessa alteração, destacam-se:

  • Ter sobrepeso ou obesidade.
  • Manter um estilo de vida sedentário.
  • Manter uma dieta rica em carboidratos e gorduras.
  • Ter gordura abdominal abundante.
  • Ter hipertensão não controlada e níveis elevados de colesterol no sangue.
  • Ter mais de 45 anos.

Diagnóstico

O pré-diabetes é diagnosticado através de exames de sangue.
Os exames laboratoriais (como da química do sangue) são essenciais para o diagnóstico do pré-diabetes.

É importante lembrar que a maioria dos pacientes com pré-diabetes não apresenta sintomas característicos. Na maioria dos casos, essa condição é diagnosticada por acaso, após um exame de sangue de rotina.

Por sua vez, o especialista também deve levar em consideração os fatores de risco do paciente para recomendar que seja feito um exame.

Os exames de sangue indicados para diagnosticar essa condição são semelhantes aos usados no diagnóstico do diabetes tipo 2. Nesse sentido, os níveis de açúcar no sangue devem ser medidos para detectar a condição.

De acordo com a American Diabetes Association (ADA), a glicose plasmática em jejum, o teste oral de tolerância à glicose, e a hemoglobina glicada permitem o diagnóstico. Cada um deles deve apresentar concentrações específicas de glicose no sangue, que são as seguintes:

  • Glicose plasmática em jejum entre 100 e 125 miligramas por decilitro.
  • Teste de tolerância à glicose oral entre 140 e 199 miligramas por decilitro.
  • Hemoglobina glicada entre 5,7 e 6,4%.

Em muitos casos, vários exames de sangue podem ser necessários antes de fazer um diagnóstico exato. Isso ocorre porque os níveis de glicose no sangue podem ser alterados momentaneamente por mudanças na dieta, situações estressantes ou atividade física.

Tratamento do pré-diabetes

A primeira opção no tratamento do pré-diabetes é fazer mudanças no estilo de vida, algo muito semelhante ao que acontece no tratamento do diabetes tipo 2. Nesse sentido, uma das principais medidas que devem ser tomadas é o emagrecimento, pois mesmo uma perda de peso moderada pode diminuir muito a glicemia das pessoas.

Atividades físicas ou exercícios regulares também podem ajudar a melhorar a condição. A contração muscular aumenta a entrada de glicose nas células e melhora a sensibilidade à insulina a curto prazo. Desta forma, recomenda-se fazer pelo menos 30 minutos de exercícios aeróbicos, 5 dias por semana.

Mudanças na dieta são tão importantes quanto as duas medidas anteriores. O mais aconselhável é reduzir a ingestão de carboidratos, gorduras saturadas e alimentos ricos em açúcares processados. Por sua vez, é necessário aumentar a ingestão de frutas e vegetais até um máximo recomendado de 2,5 xícaras por dia.

Por outro lado, estudos mostram que alguns medicamentos antidiabéticos e a cirurgia bariátrica também são úteis no tratamento do pré-diabetes. A ingestão de metformina, inibidores da alfa-glicosidase, inibidores da lipase pancreática, meglitinidas e agonistas do GLP-1 têm mostrado ótimos resultados na reversão dessa condição.

Complicações associadas

A principal complicação do pré-diabetes é a sua evolução para diabetes mellitus tipo 2. De fato, estudos mostram que a cada ano entre 5 e 10% dos pacientes diagnosticados com esse distúrbio desenvolvem a doença. Nesse sentido, o tratamento oportuno é fundamental para reverter o quadro.

Essa condição também causa danos aos vasos sanguíneos e à microvasculatura, por isso é possível desenvolver doenças cardiovasculares, antes mesmo da evolução para diabetes. Ela também está associada a uma forma inicial de retinopatia diabética, distúrbios renais e neuropatias.

A prevenção do pré-diabetes é fundamental

Felizmente, o pré-diabetes é uma condição evitável, apesar da presença de certos fatores de risco. Nesse sentido, é importante ter uma vida mais ativa e manter uma alimentação saudável e balanceada. Essas medidas ajudam o corpo a manter os níveis de glicose no sangue na faixa correta.

Todas as pessoas diagnosticadas com essa condição devem seguir o tratamento indicado para cada caso particular e manter controle médico periódico. É importante observar que é possível retardar a deterioração da condição física e prevenir o aparecimento de diabetes tipo 2, mas para isso é necessário fazer mudanças no estilo de vida.

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